Amamentação: um caminho para combater a mortalidade infantil

A amamentação é primordial para que o bebê tenha um desenvolvimento saudável, além de contribuir para a redução da mortalidade infantil e fortalecer os laços maternos. Falar em amamentação é também tratar do direito que tanto mães quanto filhos possuem de receber informações sobre a importância que ela tem na qualidade de vida de todos os envolvidos.

No passado, alguns comportamentos faziam com que os índices de mortalidade infantil fossem altos devido a vários fatores que interferiam diretamente nas condições de vida da criança. Muitas delas eram abandonadas em instituições de caridade sob os cuidados de religiosas e voluntários, que inseriam outros alimentos em sua rotina. Na sociedade escravocrata, por exemplo, as crianças brancas eram alimentadas por outra mulher, a ama-de-leite.

Questões estéticas e religiosas também influenciavam. Acreditava-se que o corpo envelhecia mais rápido, relações sexuais eram evitadas por crerem que a prática do ato tornaria o leite fraco e que poderia vir a ser um risco de envenenamento em uma futura gravidez.

Um outro problema e que está diretamente relacionado à temática, foi que com a chegada dos centros portuários novas doenças surgiram, tornando-se comum a morte de crianças menores de um ano por possuírem uma defesa imunológica baixa; por terem sido abandonadas ou porque a alimentação artificial muitas vezes era misturada com água contaminada. Em contrapartida, as fábricas de leite em pó vieram com uma perspectiva de trazer mais praticidade, baixo custo e erradamente disseminaram entre a população a ideia de que o leite artificial pode substituir até mesmo o leite materno e de que possuem as mesmas propriedades.

Com o passar dos tempos, vários estudos foram realizados para a compreensão dos benefícios que o leite materno tem por ser rico em vitaminas A, D e B6, cálcio, ferro e zinco; oferecendo assim menor risco da criança desenvolver alergias, atopia, leucemia, morte súbita do recém-nascido, asma, diabetes, obesidade, entre outros. No que diz respeito às mães, a amamentação diminui os riscos de se desenvolver anemia, doenças cardíacas, depressão, além de aumentar a autoestima por ser um ato prazeroso e possibilitar uma proximidade maior com seu bebê.

Por todo esse histórico relacionado ao tema e pelos benefícios que tem é essencial que os incentivos à amamentação continuem. Como ressalta a enfermeira do banco de Leite do Hospital Materno Infantil, Liane Soares “o leite materno é o alimento padrão ouro da alimentação infantil, ele tem todas as propriedades nutricionais que são necessárias, além da importância imunológica, que faz parte da defesa do bebê, e ser um alimento completo. ”

É necessário que se entenda a importância para que não haja um retrocesso. A mortalidade infantil precisa ser combatida e a amamentação é um caminho para que a criança tenha uma vida saudável. Como declara Carina Limberge, “ações de incentivo à amamentação são importantes para conscientizar as mães, familiares, enfim, a todos, por ser um assunto que ainda possui um certo entrave, pois muitas vezes o peito é enxergado como algo sexual, e ele pode até ser, mas não no sentido deturpado da palavra, é a fonte de vida da criança”.

Texto: Yara Mendes

Revisão: Priscila Gomes e Cíntia Machado

Foto: Lucas Fonseca

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