CPI que investiga morte de crianças indígenas
desembarca em Imperatriz-MA
Foi definida para os dias 3 e 4 de abril a vinda
ao Maranhão da Comissão Parlamentar de Inquérito
(CPI) que investiga as causas, conseqüências e os responsáveis
pela morte de crianças indígenas, por subnutrição,
no Brasil. Entre outros objetos da investigação, a CPI
quer apurar a aplicação dos recursos destinados à
saúde e alimentação dos índios, pela Fundação
Nacional de Saúde. No Maranhão e no Mato Grosso têm
sido recorrentes, nos últimos anos, denúncias da morte
de crianças índias por desnutrição e outras
causas. A CPI delimitou como período a ser investigado os anos
2005 e 2007. A comissão, instalada em dezembro do ano passado,
é presidida pelo deputado Vital do Rego Filho (PMDB-PB) e tem
como relator o deputado Vicentinho Alves (PR-TO). No Mato Grosso e no
Maranhão acumulam-se denúncias da morte de crianças
índias por diversas causas, incluindo suspeitas de desnutrição.
Na semana passada ocorreu em Imperatriz-MA a morte de mais uma criança,
desta vez da etnia Krikati. No cronograma da CPI, que montará
a base de trabalho em Imperatriz, além do depoimento de diversas
pessoas ligadas à causa indígena, consta a visita a uma
das aldeias da região. Os membros da CPI querem ver de perto
como vivem e que tipo de assistência recebem as crianças
indígenas desta região por parte da Fundação
Nacional de Saúde, hoje responsável pela assistência
à saúde dos índios. (Jornal
Pequeno-MA, p. 04, Élson Araújo
- 23/03)
Editorial discute crianças e adolescentes em
situação de risco
Em editorial, o jornal O Imparcial considera preocupante
as freqüentes denúncias sobre o desrespeito ao Estatuto
da Criança e do Adolescente (ECA). Em quatro meses, três
casos revoltantes vieram à tona. Pára, Mato Grosso do
Sul e Goiás, que serviram de palco a tragédias, provam
que o descaso e o despreparo governamentais não constituem exclusividade
desta pó daquela região. Em Abaetuba (PA), uma jovem de
16 anos acusada de furto foi mantida presa por 27 dias com 20 homens.
Em Goiás, uma adolescente de 14 anos denunciada pro assalto a
farmácia ficou detida por 11 dias em cadeia destinada a adultos.
Na semana passada, uma menina de 12 anos acusada de agredir delegado
ficou dois dias detida à vista dos demais carcerados. O jornal
ressalta que os episódios são mais graves por se tratarem
de menores de idade. Se se referissem a casos de alta periculosidade,
as meninas deveriam ser levadas a abrigos adequados e aguardar ali a
solução do problema. Na hipótese de se confirmarem
infrações penais, precisariam ser removidas para instalações
especializadas a fim de lhes serem aplicadas medias socioeducativas.
Todavia, como são meninas que cometeram delito de menor poder
ofensivo, a decisão correta seria deixa-las em companhia da família.
É, aliás, o que prevê o ECA. Pequenas infrações
devem ser punidas com prestação de serviços à
comunidade ou ter reprimenda penal substituída pela liberdade
assistida. Não é, porém, o que se identifica. O
jornal destaca que a desculpa dada pelas municipalidades de que não
dispõem de meios para submeter crianças e adolescentes
a penas alternativas é confissão de crime e de responsabilidade.
As prefeituras têm a obrigação de prover o município
de condições aptas a cumprir as determinações
do ECA. (O
Imparcial-MA, p.04, 23/03)
Famílias do Baixo Parnaíba maranhense
permanecem em clima de tensão
Depois de bloquearem, no último dia 13,
a MA-226, nas imediações da comunidade Marçal,
próximo a Urbano Santos-MA, famílias que trabalham e residem
há décadas (estão na quinta geração)
em comunidades rurais e quilombolas, situadas nos municípios
maranhense de São Benedito do Rio Preto, Belágua, Urbano
Santos, Chapadinha, Morros e Humberto de Campos, vão participar,
no próximo dia 28, no clube social de São Benedito do
Rio Preto, de uma grande audiência pública para reivindicar
o seu direito à terra. A audiência pública, que
começará às 14h, está sendo convocada pela
Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do
Maranhão (Fetaema), reforçada pelos sindicatos de Trabalhadores
e Trabalhadoras Rurais dos cincos municípios, Diocese de Brejo
e a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, além de caravanas
de trabalhadores e trabalhadores rurais dos municípios em questão.
Os trabalhadores se queixam de que estão sendo perseguidos e
sofrendo ameaças de despejo e de mortes por parte dos senhores
Cleber Leite e Almir Macedo, que se dizem donos de uma área de
26 mil hectares de terras, que abrange a sede do município de
Belágua e mais os cinco municípios com que faz limite.
Eles também reclamam da lentidão e morosidade do Incra
e do Iterma para regularizar a situação fundiária
naquela região do estado, que se estende por 26 anos. A presidente
do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de São Benedito
do Rio Preto, Maria Lúcia Vieira dos Santos, acentuou que, nesses
26 anos de conflito social e agrário, várias denúncias
foram encaminhadas ao Iterma e Incra “sem que eles nos dessem
qualquer resposta positiva, e esse descaso só contribuiu para
agravar ainda mais a situação fundiária nessa região.
Queremos uma providência para pôr fim a essa situação”.
(O Estado do Maranhão,
p.04, 22/03)
Pais e alunos indignados com o estado precário
de escola de São Luís
Moradores do bairro Alto do Pinho, em São
Luís, reclamam da situação precária em que
se encontra o prédio da escola municipal Agostinho Vasconcelos.
O imóvel está com o muro quase desabando, lixo acumulado
ao redor, salas de aula com goteiras, banheiros danificados e na cantina
não há higiene. O problema também revolta pais
de alunos e os professores. “Esta escola está um caos.
Tem até ninho de morcego em uma sala”, reclamou uma docente,
que preferiu não se identificar. A comunidade alega que, pela
falta de infra-estrutura no imóvel, a quantidade de alunos vem
diminuindo drasticamente com o passar dos anos. Outra situação
que revolta bastante os pais e alunos é uma reforma na parte
de trás do prédio, iniciada há quase cinco anos
e que nunca foi concluída. Muitos justificam que, além
de prejudicar o funcionamento da escola, a construção
põe em risco a segurança dos estudantes. “Faz tempo
que começaram esta obra e nunca terminaram. A vegetação
alta e o portão arrebentado contribuem bastante para que marginais
se abriguem aqui”, protestou Valquíria de Sousa, que tem
três filhos matriculados na escola. Zizi Passos, diretora do estabelecimento
de ensino, afirmou que a obra será reiniciada a partir de segunda-feira.
A Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de
Educação (Semed) informou que a empresa responsável
pela limpeza pública na área já recolheu o lixo
depositado ao lado da escola, mas a comunidade continua sujando o local.
(O Estado do Maranhão,
p.02, 22/03)
Estudantes da Escola de Cegos do Maranhão estão
sem material para estudar
Os alunos da Escola de Cegos do Maranhão
(Escema) estão enfrentando dificuldades devido à falta
de material e infra-estrutura na entidade. Segundo a direção
da escola, o material fornecido regularmente pelo Ministério
da Educação (MEC) não atende à demanda.
O problema tem gerado insatisfação aos estudantes. Atualmente,
a entidade tem 48 alunos matriculados, sendo nove internos (vindos do
interior e de outros estados). Segundo o diretor do Escema, Antônio
Ferreira Rocha, o material é fornecido de dois em dois anos pelo
MEC, de acordo com o número de matrículas. Entretanto,
há matrículas constantes na escola e os que entram ficam
sem material. “A cada ano, mais alunos matriculam-se na escola,
e se não for no período em que o MEC fornece o material,
ficam sem nada. Então, para não serem prejudicados, a
gente empresta os materiais de outros alunos para eles ou a direção
mesmo tira do próprio bolso para comprá-los. A gente tenta
superar essa dificuldade assim: um ajudando o outro”, disse Rocha.
De acordo com o direção do Escema, os principais materiais
para escrever, como reglet, punção, folhas de papel 40kg
(tamanho ofício), lápis 3B (para alunos de baixa visão),
sorobam (aparelho de cálculo) e bengala custam em média
entre R$ 10,00 e R$ 200,00. A falta de uma impressora Braille, que custa
em média R$ 12 mil reais, também dificulta a elaboração
das atividades para os alunos. A Escema é uma entidade filantrópica,
criada há 43 anos e sobrevive atualmente de doações
da sociedade, de professores voluntários, Prefeitura e pelo Governo
do Estado. A instituição atende alunos da capital e do
interior, a partir dos 7 anos para alfabetização e ensino
fundamental. O telefone para entrar em contato com a entidade e fazer
as doações é 3246-9380 ou 3236-7326.
(O Estado do Maranhão,
p.02, 22/03)