Fake news: mentiras que desafiam o jornalismo

“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Essa frase de Joseph Goebbels, que foi ministro da Propaganda de Adolf Hitler na Alemanha Nazista, poderia bem definir o objetivo das fake news, uma realidade cada vez mais presente no mundo. O relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) sobre liberdade de imprensa, pluralismo, independência e segurança de jornalistas, divulgado em novembro de 2017, afirma que o jornalismo está sob ataque devido a notícias falsas.

A diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, disse no documento “Tendências Mundiais para a Liberdade de Expressão e Desenvolvimento da Mídia” que “os desafios são ainda maiores para cidadãos do mundo todo, mulheres e homens que dependem do jornalismo profissional para conduzir o desenvolvimento e a transformação de suas sociedades”.

Mas o que são as fake news? De acordo com o Pr. Dr. do Departamento de Comunicação Social da UFMA, José Ferreira Júnior, são “mentiras que de tanto serem repetidas, podem ser tidas como ‘verdades’ convenientes para quem as propala por algum tempo. São narrativas sem qualquer compromisso com o factual.”.

O professor diz ainda que elas sempre existiram. “Segundo o historiador britânico Peter Burke, reis, imperadores e presidentes (detentores do poder em geral) sempre se serviram de mensagens fora da realidade para construir a ‘imagem’ de seus governos; e até mesmo para a representação acerca de sua aparência física, às vezes de forma a esconder fragilidades desabonadoras para a construção de figuras poderosas”, explica Ferreira.

Sistema bem parecido com o que ocorre na atualidade, em que “as notícias falsas servem, sobretudo, como arma política que, quase sempre, tentar ocultar também interesses econômicos e financeiros diversos”. Para além dos escândalos políticos envolvendo fake news, os impactos na sociedade também afetam a credibilidade jornalística.

Porém, nesse emaranhado de consequências negativas há um ponto que pode ser benéfico: as pessoas que recebem uma notícia começam a desconfiar daquelas informações. Segundo o professor, “tira a cidadã e o cidadão, com algum grau de civilidade, da zona de conforto. Precisam agora questionar a natureza da informação acessada. Compreender quais interesses nortearam aquela publicação, mesmo produzida por alguém que se enquadre no entorno do seu pensamento político e ideológico”.

É necessário combater também o argumento da liberdade de expressão como justificativa para a prática de notícias falsas e outras desse tipo. Além da responsabilidade do leitor de questionar e não repassar informações duvidosas, a parte principal compete aos jornalistas, que é apurar antes de divulgar algo e tornar o dia a dia dessa profissão mais eficaz O professor Ferreira Júnior completa: “Não há uma cartilha para se contrapor ao fake news. Certamente, é preciso a livre circulação de ideias, mas somente o tempo há de consolidar os argumentos mais sólidos e edificantes”.

Texto: Vilma Santos

Foto: reprodução

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