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Orçamento da União 2007-2008: muitos planos, pouca prática Governo aumenta recursos para programas direcionados a atender crianças e adolescentes, troca nomes e substitui ações, mas – na hora de liberar as verbas - retém boa parte do dinheiro previsto na lei orçamentária. No projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2008 o Governo Federal aumentou a dotação de diversos programas destinados a beneficiar crianças e adolescentes. Entretanto, a União ainda contingência (retém) boa parte dos recursos que planeja aplicar na proteção a esse segmento da população. Para especialistas que acompanham as políticas da infância e adolescência, é uma contradição que pode atrapalhar o alcance de metas traçadas pelo próprio governo e assumidas pelo País perante organismos internacionais. “O aumento de recursos é uma sinalização otimista, mas não é garantia de execução. E o não cumprimento das ações que estão vinculadas às Metas do Milênio, ao Plano Presidente Amigo da Criança e ao ‘PAC da Criança’ significa atraso na alteração dos indicadores sociais”, afirma Wieland Silberscheneider, do Instituto de Controle Social das Finanças e Políticas Públicas (Foco Fiscal). “Como os recursos não são executados, vamos atrasar e agravar ainda mais a situação das crianças e adolescentes em risco”, complementa o especialista. Veja abaixo alguns exemplos que cruzam a previsão orçamentária
para 2008 e a execução em 2007 de programas que beneficiam
crianças e adolescentes brasileiros: Exploração sexual – Para combater a exploração
sexual de crianças no Brasil, o governo federal criou, em 2002,
o Programa de Combate ao Abuso e à Exploração
Sexual de Crianças e Adolescentes, que em 2008, tem uma dotação
de R$ 68,3 milhões. É um crescimento de 22% em relação
à proposta orçamentária do ano anterior e equivale
ao triplo da quantia prevista no Plano Plurianual (PPA) 2003. O PPA
é um instrumento legal que norteia os gastos e investimentos
do governo nos quatro anos seguintes. Programa Erradicação do Trabalho Infantil – Dos R$ 382,7 milhões previstos para o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) este ano, pouco mais da metade, 54% (R$ 206 milhões), havia sido paga até outubro deste ano. Para 2008, o programa tem R$ 368 milhões previstos. Em 2006, foram pagos 67,98% do autorizado. Atendimento Sócio-Educativo do Adolescente em Conflito com a Lei – Aparentemente, o governo federal decidiu apostar alto nas medidas socioeducativas no orçamento do próximo ano. O programa teve crescimento de 242% para 2008 (passou de R$ 24 milhões para 82,7 milhões) e mudou de nome: agora vai se chamar Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente em Conflito com a Lei (Pró-SINASE). Paradoxalmente, na execução do Orçamento 2007, a União não demonstra o mesmo entusiasmo: apenas R$ 1,3 milhão havia sido pago até outubro de 2007 – o que corresponde a apenas 5,4% do volume de recursos que se planejava investir. Em 2006, 99% dos recursos previstos foram pagos. Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente – Dos 19,8 milhões previstos em 2007, menos da metade – R$ 5,5 milhões – foi efetivamente paga. É uma repetição do que ocorreu em 2006, quando apenas 38,7% dos recursos previstos foram efetivamente pagos. No próximo ano, o programa – que agora se chama Sistema de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente – terá ainda menos recursos: 7,6% foram cortados e, com isso, caiu para 18,3 milhões.
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