CASO ISAAC: Governo Federal se nega a pagar
advogado para tentar reverter adoção de adolescente
brasileiro na Itália
Prazo para recorrer na justiça italiana
expira no dia 10 de dezembro
A maranhense Civanilde Marques, mãe do menino Isaac Marques
de Carvalho, está prestes a perder a última chance para
tentar reaver a guarda do seu filho de apenas treze anos na justiça
italiana. O Ministério das Relações Exteriores
(MRE) se nega a continuar financiando o advogado italiano Maurizio
Irrera. Ele acompanha o processo na Corte de Turim desde o começo.
A informação foi repassada pelo promotor de justiça
João José e Silva Veras, da comarca de São Vicente
Férrer, que monitora o caso desde o início. Um ofício
encaminhado pelo diretor do departamento das comunidades brasileiras
no exterior do MRE, Eduardo Gradilone à procuradora federal
dos direitos do cidadão, Ela Wiecko de Castilho, atesta a intenção
do Governo Federal de abandonar a mãe brasileira. Civanilde
Marques é carente e não possui recursos para arcar com
as despesas.
No documento, Grandilone alega que o Ministério das Relações
Exteriores não poderá continuar a conceder auxílio
financeiro à mãe, devido a limitações
orçamentárias. “Outros despêndios em favor
da senhora Civanilde Marques exigiriam realocação de
recursos destinados à assistência consultar e poderiam
comprometer o atendimento das demandas de outros cidadãos brasileiros
desvalidos no exterior que também enfrentam necessidades e
requerem auxílio financeiro”.
A afirmação foi contestada pela procuradora federal
dos direitos do cidadão, Ela Wiecko de Castilho em ofício
encaminhado ao MRE. Na avaliação de Wiecko a assistência
jurídica gratuita assegurada constitucionalmente pelo Estado
aos necessitados deverá ser ampla, irrestrita e integral, sob
pena de não ser garantido ao nacional em solo estrangeiro e
a sua família a ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes, também prevista na Constituição Federal
de 1988.
“Por se tratar de uma situação em que a violação
de direitos fundamentais está em jogo, temos por certo que
as chances de uma reviravolta no caso sejam bem maiores nos tribunais
superiores italianos, pois evidentemente são cortes mais sensíveis
a possíveis violações de garantias fundamentais”,
argumenta Wiecko.
São necessários pelo menos 4 mil euros (aproximadamente
R$ 10.600) para pagar os honorários do advogado italiano Maurizio
Irrera e as despesas com o recurso da decisão da justiça
italiana. No dia 11 de outubro deste ano a justiça daquele
país, em 1ª instância, indeferiu o recurso da mãe
do menino para reverter o processo de adoção e permitir
o reencontro com o filho. A audiência foi realizada na cidade
de Turim, noroeste da Itália.
Desde então, Isaac foi colocado em uma família e a conclusão
do processo de adoção em curso, em estado avançado,
depende da decisão definitiva da justiça.
Em julho deste ano, Civanilde foi entrevistada por uma psicóloga
designada pela Corte de Turim para avaliar o seu pedido de encontro
entre ela e seu filho. Na penúltima audiência, realizada
em 12 de julho, a justiça italiana negou o pedido, com base
no laudo apresentado pela psicóloga, alegando que o eventual
encontro entre eles seria prejudicial ao menino.
Isaac, hoje com 13 anos, não tomou conhecimento da presença
de sua mãe biológica na Itália e de sua luta
para manter contato com ele. Apesar dos esforços do Ministério
Público do Maranhão (MPMA), a justiça italiana
se nega a reverter o processo de adoção iniciado em
2003. É o processo de adoção mais longo na história
da justiça italiana.
Entenda o caso – Isaac Marques de Carvalho
nasceu em São Vicente Férrer, em agosto de 1994 e em
1998 foi levado, com o consentimento dos pais, para a Itália
pela irmã paterna Maria Magnólia Castro, casada com
o italiano Alberto Toffoli. Em 2003, o menino passou a viver com uma
família italiana e, por decisão da justiça daquele
país, deveria ser adotado na Itália, uma vez que, no
entendimento do poder judiciário italiano, o garoto encontrava-se
em situação de abandono pelos pais brasileiros.
Em outubro de 2006, após intervenção do MPMA,
o governo estadual arcou com os custos das passagens aéreas
para que Civanilde Marques fosse à Itália, para participar
de audiência do processo de adoção. À época,
a mãe de Isaac foi deportada por autoridades francesas para
o Brasil quando fazia conexão no aeroporto de Paris, sob o
argumento de imigração ilegal.
Fonte: CCOM-MPMA