São Luís/MA, 05 a
11/03/2007> Edição nº119
SUGESTÃO DE PAUTA DA SEMANA
Ações de combate à feminização
da AIDS são lançadas na semana da mulher
Uma das maiores preocupações dos governos de todo o mundo
é com o aumento dos casos de Aids. Desde a década de 80,
milhares de pessoas morreram vítimas do HIV. No Brasil já
foram identificados cerca de 433 mil casos, desde que o primeiro caso
foi identificado, em 1980, até junho de 2006. Em 1998, eram cerca
de 19 casos por 100 mil habitantes, os dados são do Ministério
da Saúde.
Ainda de acordo com o ministério, em 2004, pesquisa de abrangência
nacional estimou que no Brasil cerca de 593 mil pessoas, entre 15 a
49 anos de idade, vivem com HIV e Aids. Deste número, cerca de
208 mil são mulheres e 385 mil são homens.
Apesar dos avanços nos últimos anos, ainda são
insuficientes os avanços para proteger as mulheres, especificamente
as crianças, adolescentes e jovens. Segundo o relatório
“Situação Mundial da Infância 2007”
do Unicef, até 2005, cerca de 50% dos 39 milhões de pessoas
que vivem com HIV eram mulheres. Em regiões da África
e do Caribe, moças entre 15 e 24 anos têm uma probabilidade
seis vezes maior de contrair a infecção do que os rapazes
com a mesma idade. O que torna as mulheres mais vulneráveis ao
vírus HIV. O aumento da taxa de HIV em mulheres, conseqüentemente,
aumenta a possibilidade de o vírus crescer também entre
as crianças, uma vez que os bebês podem ser infectados
pelas mães durante a gestação ou durante a amamentação.
É a chamada transmissão vertical.
O que é transmissão vertical
e como preveni-la - Denomina-se transmissão vertical do
HIV a situação em que a criança é infectada
pelo vírus da aids durante a gestação, o parto
ou por meio da amamentação.
No entanto, a criança, filha de mãe infectada pelo HIV,
tem a oportunidade de não se infectar pelo vírus. Atualmente,
existem medidas eficazes para evitar o risco de transmissão,
tais como: o diagnóstico precoce da gestante infectada, o uso
de drogas anti-retrovirais, o parto cesariano programado, a suspensão
do aleitamento materno, substituindo-o por leite artificial (fórmula
infantil) e outros alimentos, de acordo com a idade da criança.
Durante o pré-natal, toda gestante tem o direito e deve realizar
o teste HIV. Quanto mais precoce o diagnóstico da infecção
pelo HIV na gestante, maiores são as chances de evitar a transmissão
para o bebê. O tratamento é gratuito e está disponível
no SUS.
Segundo relatório lançado pela ONU, em janeiro deste ano,
em muitos países, foram criados programas de prevenção
da transmissão vertical e houve aumento do acesso de mulheres
gestantes à testagem e, no caso das mulheres que vivem com o
HIV, ao tratamento anti-retroviral durante a gestação
e o parto. O Brasil foi citado no relatório como um dos países
onde mais de 40% das gestantes têm acesso a anti-retrovirais para
prevenir a transmissão vertical.
No Brasil, os novos casos de aids decorrentes da transmissão
vertical estão diminuindo. A meta do País é aproximar
de zero o número de casos de aids por transmissão vertical
até 2008. Para isso, pretende-se expandir o acesso de gestantes
ao teste rápido nas maternidades e centros de aconselhamento
e testagem nos próximos dois anos, principalmente nas regiões
mais pobres do País. Hoje, a taxa de infecção de
crianças por transmissão vertical é de 8% na média
nacional, mas em regiões como o Norte e Nordeste, as taxas são
de 14% e 12%, respectivamente.
No Maranhão, de 2000 até junho de 2006, foram notificados
404 novos casos em mulheres, na faixa etária de 0 a 24 anos.
Só em 2005 foram 83 novos casos entre mulheres na mesma faixa
etária. Em 2006, apesar de os números se referirem a um
semestre já há uma diminuição da incidência
do vírus com relação aos três anos anteriores.
Ano diagnóstico _____ Faixa etária
_________________0-5 anos_____5-12_______13-19_______19-24_______Total
2000______________07__________01_________11_________ 29__________48
2001______________11__________04_________10_________17__________42
2002______________08__________0__________15_________19__________42
2003______________14__________08_________22_________29__________73
2004______________17__________07_________14_________41__________79
2005______________34__________10_________11_________28__________83
2006______________06__________04_________07_________20__________37
Total ______________97__________34________ 90________183_________404
Fonte: Ministério da Saude
Para lidar com o problema, o Programa Nacional de DST/Aids, ligado ao
Ministério da Saúde, lançou o Plano de Enfrentamento
da Feminização da Aids e outras DST’s, para conter
o avanço da Aids entre as mulheres. A iniciativa é uma
resposta ao crescimento da incidência da doença no público
feminino: no início da década de 80, quando o vírus
surgiu no Brasil, as mulheres eram menos de 6% dos soropositivos; hoje,
elas são 40%.
O Plano Nacional de Enfrentamento da Feminização da Aids
prevê a implantação de novas redes de atenção
às pessoas em situação de violência doméstica
e sexual, a ampliação do acesso a testes de HIV e a exames
ginecológicos e a intensificação do trabalho de
orientação sexual e distribuição de preservativos
nas escolas públicas de ensino médio. Com isso, o governo
pretende diminuir inclusive a incidência de outras doenças
sexualmente transmissíveis, como a sífilis congênita.
Uma das ações propostas no Plano é a realização
de uma pesquisa sobre a situação das mulheres vivendo
com HIV no Brasil. A pesquisa será lançada oficialmente
no dia 08 de março de 2007, Dia Internacional da Mulher. Além
desta iniciativa, o governo também lança, na mesma data,
a Campanha de Prevenção das DST’s/Aids nos jogos
Pan-americanos, que serão realizados, no Brasil, em julho 2007.
Mais Informações
Sociedade Civil de Bem-Estar Familiar (Bemfam), trabalha com saúde
reprodutiva e combate à AIDS
Rua da Alegria, 322 – Centro (São Luís/MA)
Fone: (98) 3212.8680
Secretaria de Estado da Saúde
Dra. Sílvia Viana, coordenadora do programa DST/Aids
End: Av Carlos Gomes S/n Calhau
Fone: 3218 8735 / 81112585
Agenda
08/03
Maternidade Benedito Leite promove programação
especial no Dia Internacional da Mulher
Para discutir o tema “Mulheres contra as DST e Aids”, a
maternidade Benedito Leite, em São Luis, vai realizar uma programação
especial no dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher. A programação
é voltada para a sensibilização das pacientes da
maternidade. O objetivo é melhorar a auto-estima das usuárias
e funcionárias e lembrá-las que as mulheres, assim como
todas as pessoas, devem ser tratadas com respeito, educação,
carinho e cortesia sempre.
08 e 09/03
Sociedade civil realiza programação
na semana do Dia Internacional da Mulher
Organizada por entidades sindicais, estudantis e por grupos como o
Movimento Organizado Quilombo urbano, Grupo de Mulheres Pretas Anastácias,
Posse Liberdade Sem Fronteiras, a programação vai abordar
temas como a opressão de gênero e a exploração.
PROGRAMAÇÃO:
Dia 8 de março 2007
8:00 às 11:00 – Panfletagem e Ato na Pça. Deodoro:
Mulheres na Luta contra a Opressão e a Exploração.
Fora Bush do Iraque e as Tropas brasileiras do Haiti, Contra as Reformas
Neoliberais de Lula
17:00 – Debate: A Organização das Mulheres na luta
contra a Opressão e a Exploração Capitalista
Expositoras: APRUMA – SS, DCE / UFMA, Secretária Estadual
da Mulher, Grupo de Mulheres Pretas Anastácias e Grupo de Mulheres
Mãe Andresa.
Local: Auditório da UFMA Virtual – Centro de Convivência
– Campus do Bacanga.
Dia 9 de março - Homenagem às Mulheres no Lançamento
do CD PRC/ Quilombo Urbano – no Circo da Cidade
10 de março: oficina Organização, Auto-Estima e
Prevenção – Salão Paroquial da Igreja da
Floresta (Liberdade)
ORGANIZADORES: APRUMA, CONLUTAS/MA, DCE/UFMA, DCE/CEFET, CAFIL/UFMA,
CASS/UFMA, CACS/UFMA, MOV. NA TRINCHEIRA E NA POESIA, DACOM/UFMA, DAFAR/UFMA,
MOV. ORG. QUILOMBO URBANO, GRUPO DE MULHERES PRETAS ANASTÁCIAS,
POSSE LIBERDADE SEM FRONTEIRAS.