São Luís/MA, 19 a
25/03/2007> Edição nº121
SUGESTÃO DE PAUTA DA SEMANA
Conviver com semi-árido é alternativa
nas comunidades sem acesso à água
Água, fonte de vida primária para o ser humano, a cada
ano, torna-se mais escassa. O problema do acesso à água
é histórico no Brasil e nos estados do Semi-árido
a situação é mais emblemática. De acordo
com os dados do IBGE, de 2000, 42,12% das crianças e adolescentes,
que vivem no semi-árido brasileiro, não tem acesso à
rede geral de água, poço ou nascente, em casa ou próximo.
O índice nacional é de 17,37% das crianças e adolescentes
sem acesso. A população em geral que não tem acesso
à água é maior no Norte (23,3%) e Nordeste (56%)
do país. Esses índices aumentaram no intervalo de 1989
a 2000, quando o Norte tinha 21,7% e o Nordeste, 50%. Essa constatação
está na Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, elaborada
pelo IBGE.
No Maranhão são 45 municípios em uma área
de aproximadamente 96 mil km2, com uma população de 1.150.000
habitantes. Esses municípios possuem os piores indicadores e
estão entre as cidades mais pobres do estado. No entanto, o Maranhão
foi um dos que conseguiu um dos maiores avanços do Índice
de Desenvolvimento Infantil (IDI). Em 1999 era 0,446 e em 2004 passou
para 0,542, um avanço de 21,52%, sendo assim, o segundo estado
que mais melhorou o índice, ficando atrás apenas da Bahia.
O que não significa dizer que o Maranhão está com
um nível bom, apenas que avançou em relação
aos dados de 1999.
Do ponto de vista hídrico, o Semi-Árido é conhecido
por apenas uma pequena parcela da região ter uma média
pluviométrica anual inferior a 400 mm. No Semi-Árido como
um todo, essa média sobe para 750 mm por ano. No entanto, há
ainda a má distribuição dessa chuva no tempo e
no espaço. Ao contrário do que se pensou durante anos,
não é somente a seca que é responsável pela
disparidade na distribuição de água, e sim, a falta
de políticas públicas e de condições de
aproveitamento dos recursos hídricos. No entanto, a mobilização
social nos estados do semi-árido tem contribuído para
mudar esse quadro.
Em 2000, foi implementado e está em execução o
Programa de Convivência com o Semi-árido - PCSA, que consiste
em intervir na realidade das famílias com diversas ações:
recursos hídricos, produção apropriada, educação
contextualizada, gestão de áreas naturais degradadas,
segurança alimentar etc. Um dos principais programas é
o P1MC – Programa Um Milhão de Cisternas, desenvolvido
pela Articulação do Semi-árido (ASA Brasil) nas
comunidades. A cisterna de placa, especificamente, é uma construção
de baixo custo que utiliza técnicas simples, de forma cilíndrica,
coberta e semi-enterrada. Capta-se a água da chuva, aproveitando
o telhado da casa, escoando através de calhas (bicas) até
o reservatório ou tanque. Com essa solução simples,
muitas famílias do Semi-Árido terão água
de qualidade e, aos poucos, capacidade de viver com dignidade nesta
bela região de nosso país.
O P1MC: P1MC Programa de Formação
e Mobilização Social para a Convivência com o Semi-Árido:
Um milhão de cisternas rurais
O objetivo geral da mobilização em torno das cisternas
é de reduzir a mortalidade infantil, combater o analfabetismo,
aumentar a renda familiar, organizar as comunidades, frear o êxodo
rural. A água das cisternas é utilizada para beber, cozinhar
e fazer higiene bucal. As famílias passam a ter água limpa
ao lado da casa o tempo todo. No Maranhão, o Idesa (Instituto
de Desenvolvimento Social e ambiental), é o responsável
pela implantação do programa Um milhão de cisternas
rurais.
Dados gerais P1MC no Brasil
- Cada cisterna de placa tem um custo estimado de R$ 1.300;
- 1.018 municípios do Semi-árido já foram beneficiados;
- 187.380 cisternas foram construídas; 263 estão em construção;
- 198.251 famílias mobilizadas;
- 185.159 famílias capacitadas sobre gerenciamento de Recursos
Hídricos;
- 135 pedreiros instrutores capacitados;
- 4.498 pedreiros capacitados;
(Fonte: Cáritas Brasileira)
Boas práticas
De acordo com a Declaração do Semi-Árido, os habitantes
dessa região têm “direito a uma verdadeira política
de desenvolvimento econômico e humano, ambiental e cultural, científico
e tecnológico”. A afirmação se deve ao fato
de que, implementando políticas públicas estruturantes
e não emergenciais é possível que, em pouco tempo,
a população do semi-árido torne-se autônoma
e não mais precise de tal subsídio. “A título
de comparação, estima-se em um milhão o número
de famílias que vivem em condições extremamente
precárias no semi-árido. Equipá-las com cisternas
de placas custaria menos de 500 milhões de reais (um quarto dos
2 bilhões que foram liberados recentemente em caráter
emergencial) e traria uma solução definitiva ao abastecimento
em água de beber e de cozinhar para 6 milhões de pessoas”,
relata texto da declaração.
Ao contrário do que se imagina, não existe pouca chuva
no Semi-Árido brasileiro, mas um regime hídrico irregular,
além de uma distribuição desigual das chuvas na
região. A captação de água da chuva em cisterna
tem se revelado uma alternativa de baixo custo e capaz de atender quase
100% da demanda de água para beber e cozinhar de uma família
com cinco pessoas, durante um ano. Experiências positivas vem
sendo desenvolvidas na região, como o Programa 1 Milhão
de Cisternas, coordenado pela ASA (Articulação pelo Semi-Árido).
A ASA tem conseguido aglutinar centenas de entidades em torno do princípio
de convivência com o Semi-Árido. O foco principal é
substituir a idéia de que é preciso implantar ações
e políticas de “combate à seca”.
Mudança de planos: um pacto em prol do
Semi-árido
Em ação conjunta entre sociedade civil e governos, o
UNICEF coordenou no primeiro semestre de 2004 o Pacto Nacional: Um Mundo
Para a Criança e o Adolescente do Semi-árido. O objetivo
foi articular efetivamente governadores, sociedade civil e população
para o desenvolvimento de atividades que visem ao cumprimento dos Objetivos
de Desenvolvimento do Milênio (que inclui metas como erradicar
a pobreza, universalizar o ensino fundamental, reduzir a mortalidade
infantil e melhorar a saúde materna, entre outros).
Por meio do Pacto e da criação de um Comitê Nacional
e comitês estaduais, foi possível implementar o Selo Unicef
Município Aprovado, que determina metas concretas a serem alcançadas
pelos municípios que aderem ao Selo. Na sua última edição
o Maranhão teve sete dos quarenta e cinco municípios que
estão na região semi-árido certificados pelo selo
unicef município aprovado por melhorarem a qualidade de vida
das crianças e adolescentes da cidade.
Mais Informações
Amavida
João Batista
João Otávio – Coordenador da ASA – Maranhão
Fone: (98) 3246 4485 e (98)3246 6679
Idesa
Conceição Marques
Fone: (98) 9238 5545
Unicef
Eliane Almeida
Fone: 4009 5703 e 4009 5700