São Luís/MA, 16 a
22/04/2007> Edição nº124
SUGESTÃO DE PAUTA DA SEMANA
Educar
para conviver com o Semi-árido: experiências mostram um
novo olhar para a prática educativa no semi-árido
Em 2004, o Governo Federal e os governadores dos Estados que compõem
a região do Semi-árido Brasileiro (SAB) assinaram o Pacto
Nacional Um Mundo para Crianças e Adolescentes do Semi-árido.
O compromisso, assumido naquela ocasião, aponta para realização
de ações para melhorar as condições de vida
e garantir os direitos de cerca de 11 milhões de meninos e meninas
que vivem na região. Dentre tantos direitos a serem efetivados,
os (as) governantes se comprometeram em garantir o acesso à educação
de qualidade a crianças e adolescentes do SAB e universalizar
o ensino básico, como aponta os Objetivos do Milênio da
ONU. O Maranhão assinou o pacto,
colocando-se, dessa forma, como um dos Estados que precisam realizar
ações que melhorem a vida dos meninos e meninas do semi-árido,
entre elas melhorias na educação. Ainda este ano, haverá
a ‘repactuação’ do acordo assinado pelos Governadores
a favor de um mundo melhor para as crianças e adolescentes do
SAB. A idéia é fazer com que os novos governadores e os
reeleitos no último pleito reafirmem o compromisso assumido no
Pacto Nacional, em 2004.
No campo da educação, uma discussão bastante atual
no semi-árido brasileiro é a inserção da
educação contextualizada, que concebe o semi-árido
como tema indispensável nas salas de aula dos municípios
que estão nessa região, através da demonstração
de convivência sustentável com a região e suas similaridades.
A educação contextualizada valoriza a cultura local, a
história e as vivências do povo do semi-árido. A
região é abordada em suas características peculiares,
especificidades e diferenças e buscam-se alternativas, ações
viáveis, para a permanência das pessoas na região;
e, não, o seu abandono. Assim, a escola ensina a conviver com
o Semi-árido, estando vinculada às formas de vida e aos
problemas da região. Mas para dar vazão a este novo olhar
para a Educação no Semi-árido é preciso
investimentos em formação continuada de professores e
gestores do ensino, adaptação dos currículos das
escolas da região e renovação dos materiais didáticos
trabalhados. Além dos esforços permanentes destinados
ao combate ao trabalho infantil, financiamento e fiscalização
do transporte e merenda escolar.
Para lutar pela garantia desses direitos e por políticas públicas
educacionais no Semi-árido surgiu a Rede de Educação
do Semi-árido Brasileiro (Resab). A Resab é um espaço
de articulação regional que tem o objetivo de elaborar
propostas de políticas públicas na área da Educação
e desenvolver ações que contribuam para a melhoria do
sistema educacional no Semi-árido. A Rede congrega organizações
governamentais e da sociedade civil, que, em 2006, reuniram-se na I
Conferência Nacional de Educação para a Convivência
com o Semi-árido (CONESA). Na Declaração Final
do encontro, as instituições participantes denunciaram
o fato dos currículos escolares serem “desarticulados da
realidade semi-árida e propagadores das vulnerabilidades da região”
e dos “materiais didáticos utilizados nas escolas serem
produzidos em outras regiões, especialmente no Sudeste do Brasil”.
Para entidades educativas que trabalham com o paradigma da Educação
Contextualizada, é fundamental que existam livros didáticos
específicos para o Semi-árido. Isso não quer dizer
que os livros não abordarão questões gerais e de
outras regiões do Brasil. O intuito é trabalhar de forma
interdisciplinar os assuntos enfatizando a convivência e o desenvolvimento
sustentável da região e como esta se relaciona com outros
lugares brasileiros. Como o livro didático, o currículo
das escolas localizadas no Semi-árido também precisa ser
adequado à realidade e às demandas regionais. Por exemplo,
a questão da água é um tema imprescindível
de ser trabalhado a partir de um viés sustentável. A ‘falta
de água ou a seca’, em vez de ser abordada como uma calamidade,
precisa integrar-se às disciplinas de forma a enfatizar as possibilidades
de captação, armazenamento e distribuição,
para ressaltar a convivência e a permanência das pessoas
na região. No Maranhão, há um ano, um projeto piloto
está sendo implementado pela RESAB, em parceria com as prefeituras
dos municípios de Paulino Neves e Chapadinha com a inserção
do livro didático ”Conhecendo o semi-árido”
no currículo escolar dos alunos de 3ª e 4ª séries.
No Maranhão, 45 municípios
estão no semi-árido, dessa forma, milhares de crianças
e adolescentes ainda não tiveram acesso à educação
contextualizada, é necessário um maior empenho e compromisso
por parte do poder público, inclui-se aí, governos municipais
e estaduais, para que os meninos e meninas do semi-árido passem
a ver a região com um olhar diferenciada daquele que estigmatiza
a região.
Quais escolas são atendidas:
Em Chapadinha-MA
Unidade Escolar D. Pedro I
Unidade Escolar Acelino da Silva
Em Paulino Neves
Unidade Escolar Manoel da Penha Conceição
Unidade Escolar João Crisóstomo
Sugestões de abordagem:
Quais ações estão sendo desenvolvidas pelos municípios
com relação à formação continuada
de professores. Elas se inserem no âmbito do paradigma da educação
contextualizada?
Discutir como as experiências de educação contextualizada
podem contribuir para a relação da comunidade com a região
e melhorar a convivência de crianças e adolescentes no
semi-árido.
Diálogo entre Educação
Contextualizada e outras práticas educativas
A Educação Contextualizada dialoga profundamente com as
práticas educativas realizadas no Campo e na Educação
escolar indígena e quilombola. Para relacionar essas atividades,
além de compreender os princípios da Educação
Contextualizada para Convivência com o Semi-árido, faz-se
necessário conhecer algumas práticas.
Educação do Campo -
A implementação das Diretrizes Operacionais para Educação
Básica do Campo (CNE/CEB nº1. 3/04/02), aprovadas pelo Conselho
Nacional de Educação a partir do diálogo com movimentos
sociais, é a apontada como tarefa prioritária da agenda
da Coordenação-Geral de Educação do Campo,
do Ministério da Educação (MEC). A meta é
pôr em prática uma política de Educação
que respeite a diversidade cultural e as diferentes experiências
de educação em desenvolvimento, em todas as regiões
do País, como forma de ampliar a oferta de educação
de jovens e adultos e da educação básica nas escolas
do campo.
Entre seus objetivos está a valorização do campo,
que engloba os espaços da floresta, da pecuária, das minas,
da agricultura, os pescadores, dos caiçaras, dos ribeirinhos
e dos extrativistas como espaço de inclusão social, a
partir de uma nova visão de desenvolvimento. A Coordenação
realiza desde julho de 2004 uma série de seminários estaduais
de educação do campo, nos quais os participantes, representantes
de instituições e entidades ligadas às questões
rural e educacional têm a oportunidade de discutir estratégias
para a implementação das diretrizes operacionais para
a educação básica nas escolas do campo, produzir
subsídios, elaborar propostas para uma política nacional
e criar uma esfera pública de tomada de consciência.
Educação Escolar Indígena
- Dando seqüência às formulações curriculares
e atendendo aos preceitos da diferença e especificidade, o MEC
publicou em 1998 o Referencial Curricular Nacional para a Escola Indígena
(RCNEI), que compõem o conjunto dos Parâmetros Curriculares
Nacionais. O RCNEI constitui-se em proposta formativa que pretende garantir
os pontos comuns, encontrados em meio à desejada diversidade
e multiplicidade das culturas indígenas, tal como estão
garantidos nos princípios legais do direito à cidadania
e à diferença, traduzidos numa proposta pedagógica
de ensino-aprendizagem que promova uma educação intercultural
e bilíngüe, assegurando a interação e parceria.
Seu objetivo maior é oferecer subsídios e orientações
para a elaboração de programas de educação
escolar que melhor atendam aos anseios e interesses das comunidades
indígenas.
O RCNEI está voltado prioritariamente aos professores indígenas
e aos técnicos das secretarias estaduais de educação,
responsáveis pela implementação e regularização
de programas educativos junto às comunidades indígenas.
Trata-se, assim, de um subsídio que vem ampliar e esmiuçar
os princípios traçados no documento "Diretrizes para
a Política Nacional de Educação Escolar Indígena",
de 1993. Por sua amplitude, é um documento complexo, sujeito
a várias leituras e interpretações. A equipe responsável
pela redação do documento, coordenada por membros do Comitê
de Educação Indígena, buscou a construção
de um texto minimamente consensual, num campo marcado por uma grande
pluralidade de idéias e concepções divergentes.
Pretende-se que ele seja um subsídio para a discussão
e implementação de novas políticas e práticas
pedagógicas e curriculares em áreas indígenas.
A Coordenação Geral de Educação Escolar
Indígena –CGEEI, do MEC, é responsável por
planejar, orientar, coordenar e acompanhar a formulação
e a implementação de políticas educacionais voltadas
para as comunidades indígenas, apoiar técnica e financeiramente
a formação de professores indígenas e o desenvolvimento
de materiais pedagógicos específicos para as escolas indígenas,
em harmonia com os projetos de futuro de cada povo. Para pôr em
prática uma política nacional de Educação
Escolar Indígena, o MEC tem desenvolvido ações
e programas, caracterizados pela descentralização, pelo
respeito ao processo de lutas e conquistas dos povos indígenas
e pelo estímulo a demandas que contemplem a educação
intercultural e bilíngüe. São apoiados os projetos
que provenham de reivindicações das comunidades indígenas
e as propostas governamentais ou não, que reflitam as necessidades
e realidades indígenas.
Quilombolas - As comunidades remanescentes
de quilombo ainda são pouco conhecidas por grande parte dos brasileiros.
Entretanto, levantamento feito pela Fundação Cultural
Palmares, órgão ligado ao Ministério da Cultura,
aponta a existência de aproximadamente 743 comunidades quilombolas
vivendo em ao menos dezoito estados do país, entre eles o Maranhão.
Para assegurar o acesso a uma educação de qualidade, o
Ministério da Educação, através da Secretaria
de Educação Continuada, Alfabetização e
Diversidade traçou as seguintes ações específicas:
formação específica de professores para área
de remanescente de Quilombos; fóruns estaduais para articulação
e acompanhamento das formações de professores in loco;
Ampliação e melhoria da rede escolar; produção
e aquisição de material didático para Quilombos.
O trabalho da Coordenação-geral de Diversidade e Inclusão
é feito em conjunto com a Secretaria Especial de Políticas
de Promoção da Igualdade Racial, Fundação
Cultural Palmares e mais 22 ministérios.
Outra ação para reparar este erro foi a implementação
da Lei 10.639 que, com apenas três artigos, determina que as escolas
de ensino fundamental e médio, das redes pública e particular
de todo o país, incluam no currículo a temática
da cultura e história afro-brasileiras; indica as principais
disciplinas que sofrerão modificações e institui
no calendário das escolas o dia 20 de novembro como o Dia Nacional
da Consciência Negra.
SUGESTÃO DE FONTES
Sindicatos dos Trabalhadores do Serviço Público do Município
de Chapadinha - SINTSPCHAP
Neldan Rocha – Presidente do SINTSPCHAP
98 – 3471 1204 / 9123 8303
Secretaria Municipal de Educação de Paulino Neves
Luiz Carlos – Secretário Municipal de Educação
98 - 3487 1245
UNICEF
Eliana Almeida – Coordenadora do Escritório do Maranhão
4009 5700
Rede de Educação do Semi-árido Brasileiro - RESAB
Edimersom dos Santos Reis – membro da Secretaria Executiva da
RESAB
(74) 3611-8488 / 3611-6481 / 3611-7743
Agenda
02 a 26 de Abril
Aberto o processo de eleição
para o Conselho Municipal da Criança e do Adolescente
O Fórum de Organizações Não-Governamentais
em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Fórum
DCA), comissão de São Luís, publica hoje (30),
por meio de sua comissão executiva, edital de convocação
de convocação para a escolha dos representantes da sociedade
civil no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente
(CMDCA) de São Luís. O período de inscrição
se inicia no dia 02 de abril e se estende até o dia 26, na sede
do Fórum DCA que funciona na Arquidiocese de São Luis,
no horário das 8:00 às 12:00 h. (ver
o edital e calendário em anexo)
Poderão se candidatar ao cargo de conselheiro de direitos as
organizações de promoção, defesa e controle
com atuação na área dos direitos humanos de crianças
e adolescentes constituídas oficialmente há dois anos
e com participação no Fórum DCA.
Também poderão participar do processo, organizações
filiadas a outros fóruns da sociedade civil, desde que referendadas
pelo fórum ao qual estão filiadas. A eleição
dos novos conselheiros vai ocorrer no dia 04 de maio, das 09h às
17h, na sede do Fórum DCA.
19 e 20 de Abril
Seminário Mulher, Juventude e Políticas Públicas
A BEMFAM através do seu Centro de Jovens em parceria com CEAPE,
Universidade Federal do Maranhão - UFMA, Vice-Prefeitura de São
Luís, Coordenadoria Municipal da Mulher e Governo do Estado do
Maranhão, realizará nos dias 19 e 20 de abril de 2007,
no Auditório Central da UFMA o Seminário “Mulher,
Juventude e Políticas Públicas”.
O evento tem como objetivo promover reflexões acerca da mulher
e das relações de gênero, principalmente no que
tange as mulheres jovens. O evento também chama atenção
para a questão da anticoncepção de emergência
como um direito sexual e reprodutivo, elaboração de propostas
baseadas nas relações de gênero e equidade, a serem
incorporadas enquanto políticas públicas. O Seminário
dará atenção especial à anticoncepção
de emergência como um mecanismo de garantia dos direitos sexuais
e reprodutivos das mulheres. Podem participar estudante, profissionais
interessados pela temática, pesquisadores e pesquisadoras, ativistas
e comunidade em geral. As inscrições podem ser feitas
através do e-mail semináriomulher@hotmail.com
informando o nome completo, idade, instituição e telefone
para contato
Maiores informações
BEMFAM – Rua da Alegria, 323 – Centro
Telefone: (98) 3212-8680
E-mail: projovemma@bemfam.org.br
/ mlima@bemfam.org.br / bemfamma@bemfam.org.br