São Luís/MA,02/07
a 07/07/2007> Edição nº135
SUGESTÃO DE PAUTA DA SEMANA
Violência Doméstica atinge mais de mais
de seis milhões de crianças no Brasil
Cuidar e educar os filhos não é tarefa fácil. Muitos
pais encaram a prática de punições corporais e
psicológicas, como palmadas, chineladas e ameaças como
um instrumento normal para a educação de seus filhos,
é a chamada “Pedagogia da Palmada”. Contudo, a utilização
da prática de castigos físicos e psicológicos prejudica
o desenvolvimento psíquico e emocional da criança. Além
disso banalizam o uso da violência.
Uma conseqüência direta do uso do castigo físico
é o aprendizado, por parte da criança, de que a violência
é uma maneira plausível e aceitável de se solucionar
conflitos e diferenças, principalmente quando você está
em uma posição de vantagem física frente ao outro.
A criança que sofre com castigos físicos e violências
psicológicas freqüentes também pode apresentar um
perfil retraído, introvertido.
Dados da Sociedade Internacional de Prevenção ao Abuso
e Negligência na Infância mostram que, dos 55,6 milhões
de brasileiros com menos de 14 anos, 12% — cerca de 6,6 milhões
— são vítimas de algum tipo de agressão no
ambiente familiar.
Os efeitos negativos do castigo físico e humilhante têm
levado diferentes países a se posicionarem sobre o assunto. Dezoito
países (Áustria, Bulgária, Croácia, Chipre,
Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia,
Israel, Itália, Letônia, Holanda, Noruega, Romênia,
Suécia e Ucrânia) já alteraram suas legislações
para prevenir a prática, considerada pelo recente Estudo Global
da ONU sobre Violência contra Crianças (2006) um tipo de
violência freqüente e grave que atinge milhões de
crianças em todo o mundo.
Entre os tipos de violência doméstica praticada contra
crianças e adolescentes estão:
• Palmadas
• Beliscões
• Tapinhas na mão
• Pontapés
• Puxão de cabelo
• Rejeição ou desqualificação da criança
ou do adolescente
• Bater com a mão ou com um objeto (vara, cinto, chicote,
sapato, fios)
• Xingamentos, humilhações
• Castigos excessivos, recriminações, culpabilização
• Ameaças
• Uso da criança como intermediário de desqualificações
mútua entre os pais em processo de separação
• Responsabilidades excessivas para a idade
• Sacudir ou empurrar a criança
• Clima de violência entre os pais e de descarga emocional
em cima da criança
• Obrigá-la a permanecer em posições incômodas
ou indecorosas
• Obrigá-la a fazer exercícios físicos excessivos.
• Surras
• Chacoalhar a criança
Iniciativas – No Brasil, algumas
medidas pretendem coibir e erradicar o uso da violência física
e psicológica contra crianças e adolescentes. Uma delas
é o Projeto de Lei 2.654/03. O projeto dispõe sobre a
alteração da Lei 8.069, de 13/07/1990, o Estatuto da Criança
e do Adolescente, e da Lei 10.406, de 10/01/2002, o Novo Código
Civil, estabelecendo o direito da criança e do adolescente a
não serem submetidos a qualquer forma de punição
corporal, mediante a adoção de castigos moderados ou imoderados,
sob a alegação de quaisquer propósitos, ainda que
pedagógicos, e dá outras providências.
Ele já foi avaliado e aprovado nas Comissões de Educação
e Cultura (CEC), de Seguridade Social e Família (CSSF) e de Constituição
e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados.
O objetivo do PL não é o de punir os pais que vierem
a castigar os filhos. A sua finalidade é conscientizá-los
quanto à ineficácia dos castigos como método educativo,
incentivando a busca de alternativas para estabelecer os limites na
educação de crianças e adolescentes. Visa contribuir
também para a formação de um ambiente familiar
pacífico, livre de violência, mais propício ao desenvolvimento
intelectual, emocional e social das crianças e adolescentes.
Outra iniciativa foi lançada no mês passado. Trata-se
da campanha nacional “Não Bata, Eduque”, que busca
incentivar uma educação livre de castigos físicos
e humilhantes, reconhecendo crianças e adolescentes como sujeitos
de direitos, de modo a contribuir para a erradicação dessa
prática. A campanha e promovida pela Rede Não Bata, Eduque,
uma aliança nacional de organizações comprometidas
em garantir os direitos das crianças em ter sua dignidade e integridade
física respeitadas.
Desde o dia 15 de junho, estão sendo veiculados materiais de
sensibilização e educativos como vídeos, anúncios,
spots de rádio e folders para incentivar os pais e cuidadores
a refletir sobre suas atitudes e mostrar as conseqüências
que os castigos físicos e humilhantes trazem para as crianças,
para a família e para a sociedade.
Os materiais publicitários pretendem promover o diálogo
a respeito da utilização de castigos físicos, mostrando
os reflexos negativos ao longo do desenvolvimento da criança
com a sua utilização. Além disso, ela mostra que
a prática de castigos físicos também são
uma violação aos Direitos Humanos fundamentais das crianças
e dos adolescentes, e atentam contra a dignidade humana e a integridade
física das crianças.
Sugestões de Abordagem:
Analisar junto a instituições que atendem crianças
e adolescentes, o impacto da violência doméstica na vida
de crianças e adolescentes;
Realizar enquete para avaliar como a população recebe
a campanha, uma vez que muitos acreditam que palmada educa e é
necessária.
Mais Informações:
Conselhos Tutelares
Centro - Alemanha - 3214 1074
Cidade Operária - Cidade Olímpica - 3234 6206
Vila Luizão - 3214 3214
Coroadinho - João Paulo - 3214 3211
Itaqui-Bacanga - 3214 3212
Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente Pe.
Marcos Passerini
Margareth de Jesus - 3231 1445
Centro Perícias Técnicas para Crianças e Adolescentes
Ana Valéria Brandão - Psicóloga - 3214 8669
Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente
Mônica Queiroz – Delegada Titular - 3214 8667 / 3214 8668
AGENDA
Sábado, dia 07,
IV Colóquio - Qualidade de vida de Crianças e Adolescentes
da Grande São Luís
Com o tema "Monitorando as políticas públicas locais,
o IV colóquio vai debater a realização e o monitoramento
de políticas públicas voltadas para crianças e
adolescentes nos quatro municípios da Grande São Luís.
O evento vai ser realizado no PETI - Centro, no município da
Raposa. O IV colóquio é uma realização do
Fórum Intermunicipal pelas Crianças e Adolescentes, do
Centro de Defesa Pe Marcos Passerine, do Projeto Cidadanear - Crianças
e Adolescentes com qualidade de vida, em parceria com a Fondation Terre
des Hommes e Misereor - IHR HilFswerk.
Mais informações:
Centro de Defesa Pe Marcos Passerine - 3231 1445
Concurso vai premiar rádios comunitárias
e educativas de todo o Brasil
A ONG Criar Brasil - Centro de Imprensa, Assessoria
e Rádio, com apoio do Grupo Votorantim, lança o concurso
nacional de música - Cultura Popular nas Ondas do Rádio.
Até o dia 06 de julho as rádios comunitárias e
educativas de todo o Brasil podem se inscrever no concurso, gratuitamente,
com até duas manifestações culturais, representativas
de sua região.
O Objetivo do concurso é resgatar as manifestações
musicais tradicionais de cada região do país. Desta forma,
aqueles que não têm encontrado espaço de divulgação
no circuito comercial das rádios podem mostrar seu trabalho e
ajudar a preservar a cultura regional brasileira.Vale a inscrição
de cantigas, canções folclóricas, músicas
de dança de roda, cantorias, autos, modinhas, cirandas e demais
músicas tradicionais que tenham algum vínculo com a cultura
local. Também podem participar releituras criativas de tais canções.
Como premiação cada uma das dez
rádios selecionadas ganha o valor de R$500, em dinheiro. Já
o autor participa de um programa jornalístico onde vai ser abordado
o significado da manifestação cultural para a sua região.
O programa será produzido e distribuído nacionalmente,
para toda a rede de rádios do Criar Brasil.
Mais Informações:
Criar Brasil
E-mail: concurso@criarbrasil.org.br
Telefone 21.2508-5204.
www.criarbrasil.org.br/concurso.html