São Luís/MA, 13 a
19/08/2007> Edição nº140
SUGESTÃO DE PAUTA DA SEMANA
Falta incentivo ao protagonismo juvenil no semi-árido
Com poucas chances de emprego, mobilização é uma
alternativa para evitar o êxodo aos grandes centros urbanos. Contudo,
falta quem oriente os jovens para uma maior participação
social
Os jovens que residem no Semi-árido brasileiro que têm
menos de 18 anos dispõem de poucas chances de conseguir uma ocupação
produtiva. Querem agir para melhorar esse quadro, mas não possuem
o respaldo do poder público, que não oferece espaços
de participação. Quando encontram algum apoio, organizam-se
em coletivos e associações, na luta para criar condições
à permanência em sua terra de origem.
Em 2005, a Agência de Notícias da Infância Matraca
realizou uma pesquisa Participação Política de
Crianças e Adolescentes no Semi-árido brasileiro, onde
foram entrevistados 3.121 adolescentes, com idade entre 15 e 17 anos,
de 310 municípios dos 11 estados que estão nessa região.
A necessidade de agentes externos que mobilizem e orientem a juventude
a lutar por seus direitos foi percebida nesta pesquisa em que a maioria
afirmou querer participar ativamente das decisões tomadas pelas
autoridades e melhorar a vida da comunidade. Mas reclamam da falta de
informações de como fazê-lo. 37% destes adolescentes
afirmaram já ter participado de alguma campanha ou projeto social,
enquanto que 48% dizem que nunca se envolveram em ações
deste tipo mas que gostariam de participar, mas a falta de informações
é fator determinante para a não-participação
dos mesmos. Outro empecilho ao protagonismo é a falta de noção
dos seus próprios direitos e deveres, situação
de mais da metade dos jovens envolvidos na pesquisa. Apenas 24% dos
entrevistados conhecem o Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA) e 34% não sabem absolutamente nada sobre a lei. A forma
mais comum de organização destes jovens do Semi-árido,
é em grupos ligados à igreja, 38% disseram participar
de algum grupo ligado a esta instituição.
Migração e Mercado de trabalho
O acesso ao mercado de trabalho é difícil, seja pelo despreparo,
pela falta de incentivo dos governos – em seus três níveis
– ou devido à deficiência de vagas. Diante da falta
de empregos, a migração é vista pelos jovens do
semi-árido como uma opção atrativa. Isso porque
nessa idade eles não têm ainda fatores como esposa e filhos,
que poderiam prendê-los ao local de origem. Aqueles que não
seguem para os grandes centros urbanos são os que decidem trabalhar
na agricultura, a exemplo dos pais. O êxodo rural é prática
comum entre os jovens no semi-árido, mas com a atuação
de algumas organizações, como o Unicef por exemplo que
com ações voltadas à melhoria de qualidade de vida
das crianças e adolescentes dessa região, essa realidade
vem mudando ao longo do tempo.
Defasagem cultural
Nos municípios do semi-árido, a televisão acaba
sendo o meio de comunicação e de cultura mais acessível.
Para os jovens dessas comunidades é uma importante ferramenta,
que contribui para incentivar a educação. Por outro lado,
pode se tornar uma “arma”, já que a realidade vivida
pelos adolescentes da região é bem diferente do que é
reproduzido na TV. Um dos principais prejuízos da exposição
a conteúdos tão diversos de seu cotidiano é a criação
de uma fantasia relacionada à migração para os
grandes centros, em busca de uma vida semelhante àquela mostrada
em novelas, séries ou filmes. Estes jovens não têm
acesso a cinemas, vídeo-locadoras, teatros e bibliotecas em muitas
cidades do interior.
Evento nacional leva jovens rurais à
Brasília
Trazer as reivindicações da juventude que mora e trabalho
no campo ao Legislativo é o objetivo da 2ª Jornada Nacional
da Juventude Rural, que acontece de 16 a 20 de setembro na sede da Confederação
Nacional dos Trabalhadores da Indústria (BR 040 - Km 9,5 –
Luziânia-GO), próximo à capital federal. O evento
contará com 600 participantes de 15 a 23 anos, vindos de 20 estados.
Irão acompanhá-los 100 educadores. “Eles querem
discutir alternativas para que o jovem possa permanecer no campo e não
sair para as grandes cidades. Isso envolve acesso a novas tecnologias,
financiamento e melhorias na educação voltada a este público”,
explica Jussara de Goiás, consultora do Instituto Souza Cruz,
promotor da jornada. Ela explica que será solicitado ao Congresso
Nacional que no dia 20 haja a instalação de uma Comissão
Geral, momento no qual os próprios jovens poderão apresentar
suas propostas em plenário.
Rede Sou de atitude – Criada
em 2003 pela Cipó - Comunicação Interativa, promove
a participação da população infanto-juvenil
para monitorar as políticas públicas. A Rede é
composta por 35 grupos de jovens que têm um olhar sensível
à mobilização social, articulados em 22 núcleos,
distribuídos em 12 estados e no Distrito Federal. No Maranhão
existe um núcleo da rede Sou de Atitude. Os participantes acompanham,
a partir de suas próprias comunidades, programas e ações
em sua área, para conhecê-los e apresentar sugestões
à sua melhoria. Por meio desse monitoramento torna-se possível
fazer denúncias, apontar erros e falhas e divulgar o que está
dando certo.
Guia de Fontes:
Unicef
Eliana Almeida
4009 5700
Selo Unicef: www.selounicef.org.br
Rede Sou de Atitude (MA)
Raimunda Ferraz
(98) 9141 6503
2ª Jornada Nacional da Juventude Rural
Jussara de Goiás
(62) 3322-6248 / (61) 8421-2471
Pesquisa Participação Política das Crianças
e Adolescentes do Semi-árido Brasileiro
http://www.matraca.org.br/Particip_politic_relatorio.pdf