São Luís/MA, 26/05
a 01/06/2008> Edição nº176
SUGESTÃO DE PAUTA DA SEMANA
Garanta prioridade absoluta para
a cobertura de infância e adolescência em seu veículo.
No próximo 13 de julho, o Estatuto da Criança e do Adolescente
completa 18 anos. Até lá, as agências da Rede ANDI
Brasil estarão mobilizadas na produção de material
informativo para que você, jornalista, realize boas matérias
sobre o tema. Esta é a primeira de uma série de sugestões
de pauta que enviaremos até julho. Para mais informações,
entre em contato conosco (98) 3254 0210 ou acesse nossos sites: www.redeandibrasil.org.br
ou www.matraca.org.br
A mudança nas famílias
e o seu papel na educação das crianças
Famílias monoparentais, mulheres
chefiando lares: como essas alterações influem no Estado?
Plano Nacional de Convivência Familiar: uma proposta de valorização
do ambiente familiar;
Anos 90: reordenamento econômico e consolidação
de direitos.
A década de 90 é um marco na transformação
do perfil demográfico da população brasileira.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
mostram que nesse período o País deixa de ser uma nação
predominantemente jovem para começar a envelhecer. Do início
dos anos 60, época em que houve a difusão do uso de anticoncepcionais,
para o fim do século XX, aconteceu uma queda de mais de 60% na
média de filhos, que passou de 6,2 para 2,4 crianças por
mulher. No Maranhão, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios (PNAD), em 2006, mostram que 53,1 das mulheres ainda
tinham três filhos ou mais, este é o maior índice
do País, onde a média nacional é de 37,3%.
A redução na extensão das famílias é
acompanhada por outras modificações. Uma comparação
entre Pesquisas Nacionais de Amostras Domiciliares mostra o crescimento
rápido do número de mulheres responsáveis pelo
lar. Em 1981, 16,9% das famílias apresentavam esse arranjo, enquanto
que em 2004, esse índice era de 27%. No Maranhão, em 2005,
16,1% das famílias maranhenses tinham como responsável
pela educação dos filhos, as mulheres. Há ainda
uma tendência de aumento no percentual de mães adolescentes,
com idades entre 15 e 19 anos. De acordo com os dados do Registro Civil
2004, 27,5% das crianças que nasceram no Maranhão naquele
ano originaram-se de mães adolescentes, bem acima da média
nacional (19,9%).
O esfacelamento dos arranjos familiares tradicionais – organizados
segundo a estrutura pai, mãe e filhos –, a chefia dos lares
sendo assumidas por mulheres, mães mais jovens, todos esses fatores
traçam novas formas de estruturação familiar. Muda
a configuração da família, mas ela continua sendo
considerada espaço privilegiado na formação de
crianças e adolescentes. É na família que meninos
e meninas formam seus referenciais de vida. O dilema torna-se, ao mesmo
tempo, como dar autonomia e garantir condições para que
essas famílias dêem conta de cuidar do desenvolvimento
saudável de seus filhos.
Plano de convivência
Se analisada do ponto de vista dos direitos, a década de 90
também apresenta um importante marco na co-responsabilização
da família e do Estado pelo desenvolvimento de meninos e meninas.
Esse compromisso é registrado tanto na Constituição
Federal de 1988 quanto no Estatuto da Criança e do Adolescente,
em 1990.
Entretanto, o que se observa é que ainda há muito a se
fazer para se efetivar essa relação de parceria entre
família e Estado no cuidado com as crianças. Baseado nesses
espaços a serem preenchidos, em 2006 foi criado o Plano Nacional
de Convivência Familiar e Comunitária. Elaborado em conjunto
entre os conselhos nacionais da Assistência Social e dos Direitos
da Criança e do Adolescente, o Plano aposta que a família,
mesmo quando vivenciando limitações e dificuldades sociais,
tem condições e potencialidade para cuidar de seus filhos.
A afirmação pode parecer óbvia, mas foi justamente
a partir da constatação de que esse não é
um princípio respeitado, que se decidiu pela criação
do documento. Após a realização de uma pesquisa
em instituições de abrigamento, em 2003, foi verificado
que a maior parte dos encaminhamentos (24%) ainda é feita por
motivo de pobreza, contrariando o Estatuto da Criança e do Adolescente.
O coordenador do Programa de Fortalecimento do Sistema de Garantia
de Direitos da Criança e do Adolescente da Secretaria Especial
dos Direitos Humanos (SEDH), Benedito dos Santos, considera que, mais
que restringir o debate à questão das crianças
abrigadas e à espera de adoção, é preciso
ampliá-lo, englobando o papel dos pais na educação
das crianças dentro da própria casa. O desafio, segundo
o secretário, é garantir a todas as famílias, principalmente
as mais pobres, condições de cuidar de seus filhos e de
cumprir os direitos são garantidos constitucionalmente para meninos
e meninas. “Dizemos para as famílias mais pobres que o
modo violento de educar é errado, mas não lhes mostramos
outro jeito”, exemplifica Benedito.
O professor de antropologia da Universidade Federal de Pernambuco,
Parry Scott, avalia que ainda é preciso investimento nas políticas
públicas para se dar conta desse descompasso. “Não
é necessariamente uma falta de recursos do Estado, mas sim a
falta de se entender quais são as soluções possíveis
para o que vemos”, considera Scott. Para ele, muito já
foi antecipado nas propostas das políticas públicas para
a família. Cita, como bom exemplo, o Programa Saúde da
Família (PSF), criado em 1994. A ação aposta em
um trabalho de prevenção à doença, atuando
direto junto às famílias, em suas próprias casas.
Atinge hoje, segundo dados do Ministério da Saúde, cerca
de 85,7 milhões de pessoas. Na avaliação de Scott,
os programas sociais ainda precisam ter condições de atuar
em escala em um País com mais de 180 milhões de habitantes,
espalhados por 27 estados.
Mais informações:
Conselho Estadual de Direitos da Criança e do Adolescente
Pe. Jean Marrie Van Dame (Presidente)
Fone: (98) 3221 2309 ou (98) 9125 7749
Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social (Semcas)
(GT Nacional de Convivência Familiar e Comunitária)
Secretária Adjunta da Semcas
Jesus Bonfim
Fone: (98) 3214 1069