São Luís/MA, 30/6
a 06/07/2008> Edição nº181
SUGESTÃO DE PAUTA DA SEMANA
Garanta prioridade absoluta para
a cobertura de infância e adolescência em seu veículo.
No próximo 13 de julho, o Estatuto da Criança e do Adolescente
completa 18 anos. Até lá, as agências da Rede ANDI
Brasil estarão mobilizadas na produção de material
informativo para que você, jornalista, realize boas matérias
sobre o tema. Esta é a terceira de uma série de sugestões
de pauta que enviaremos até julho. Para mais informações,
entre em contato conosco (98) 3254 0210 ou acesse nossos sites: www.redeandibrasil.org.br
ou www.matraca.org.br
Municípios brasileiros assumem
medidas sócio-educativas
Medida
é determinada pelo Sistema Nacional de Atendimento Sócio-educativo
(Sinase);
Em São Luís, seminário estadual discute diretrizes
do Sinase;
A gestão das medidas sócio-educativas
em meio aberto está sendo municipalizada em cidades brasileiras
com mais de 100 mil habitantes. Assim, adolescentes que cometem atos
infracionais agora têm mais chances de serem atendidos por programas
de Liberdade Assistida (L.A) e Prestação de Serviços
a Comunidade (PSC) - medidas mais eficientes na diminuição
da violência e na inserção dos jovens na vida social
do que as internações em estabelecimentos educacionais.
A municipalização é fundamental para ampliar o
atendimento das medidas sócio-educativas em meio aberto. Ela
permitirá que este serviço chegue a todos os lugares,
inclusive a todas as regiões das grandes capitais. A Secretaria
Municipal da Criança e Assistência Social de São
Luís vem trabalhando a municipalização da Medida
sócio-educativa de Prestação de Serviço
à Comunidade - PSC desde 1995; em 2004 implantou a Liberdade
Assistida - LA em parceria com a Fundação da Criança
e do Adolescente – FUNAC e em 2006 assumiu definitivamente a municipalização
do atendimento aos adolescentes autores de atos infracionais. As medidas
sócio-educativs em meio aberto buscam efetivar um conjunto de
ações pedagógicas interativas com as famílias
e com a comunidade, visando inserir o adolescente num caminho sócio-educativo,
de forma que possam resgatar o valor enquanto ser humano e construir
um projeto de vida que contribua para uma sociedade melhor. Atualmente
são atendidos nos dois programas 151 adolescentes em São
Luís.
Esta discussão estará presente no Seminário
estadual de implementação do Sistema Nacional de Atendimento
Sócio-educativo (Sinase) que acontece em São Luís
de 03 a 05 de julho, no Auditório da Faculdade de Arquitetura
e Urbanismo da Universidade Estadual do Maranhão. A realização
do seminário acontece em momento importante para a sociedade
maranhense onde cresce o debate sobre a aplicabilidade da Lei Federal
8.069/90, o Estatuto da Criança e do Adolescente, após
18 anos de criação. Participarão do evento 250
pessoas, de 63 municípios convidados. O Seminário é
promovido pela Universidade Federal do Maranhão, através
do Departamento de Serviço Social e da Pró-Reitoria de
Extensão, e pela Fundação Sousândrade, com
o patrocínio da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência
da República. Conta também com o apoio da Fundação
da Criança e do Adolescente(FUNAC), do Conselho Estadual dos
Direitos da Criança e do Adolescente e da Secretaria Estadual
de Direitos Humanos. Acesse
aqui a programação
Na realidade maranhense, o número de núcleos
de medidas sócio-educativas em meio-aberto abrange atualmente
63 municípios. Porém, desses, somente 40 já se
encontram com convênios assinados para assegurar seu funcionamento.
Apenas em São Luís existe centro integrado de atendimento
sócio-educativo envolvendo o judiciário, a promotoria,
a delegacia, a defensoria pública e a FUNAC. No Maranhão,
predominantemente tem sido aplicada a medida de internação
(internação e internação provisória)
mesmo quando o caso não requer, revelando descumprimento ao ECA.
A proposta do Seminário é elaborar uma agenda de implementação
do SINASE no estado do Maranhão no intuito de melhorar o atendimento
aos adolescentes em cumprimento de medida sócio-educativa e gerar
maior articulação entre as políticas públicas
setoriais relacionadas ao atendimento sócio-educativo.
SINASE - O Sistema
Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE) aponta a prioridade
para a municipalização dos programas de meio aberto. O
documento orienta para a articulação das políticas
intersetoriais em nível local e a constituição
de redes de apoio nas comunidades. As medidas em meio aberto (prestação
de serviço à comunidade e liberdade assistida) foram priorizadas
em detrimento das restritivas de liberdade (semiliberdade e internação
em estabelecimento educacional), porque estas somente devem ser aplicadas
em caráter de excepcional.
O SINASE propõe diretrizes para uma política
pública voltada para a implementação das medidas
sócio-educativas previstas no Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA). Estabelece um conjunto de regras e critérios
de caráter jurídico político, pedagógico,
financeiro e administrativo que devem ser seguidos durante o processo
de apuração de ato infracional cometido por adolescentes
até a execução de medida socioeducativa. O documento
completo pode ser acessado em
http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sedh/spdca/sinase/.
Liberdade assistida
- No primeiro momento em que um adolescente é encaminhado para
um programa de liberdade assistida, é preenchido o PIA (Plano
Individual de Atividade). Nele estão definidas as metas que deverão
ser alcançadas durante o cumprimento da medida. Se o adolescente
está fora da escola, deve ser matriculado; se é usuário
de drogas, deve ser encaminhado para a um programa de tratamento da
dependência química, por exemplo. A possibilidade de ser
incluído no Bolsa Família ou de integrar um projeto de
formação profissional, dentre outros serviços,
também é avaliada. Durante um período que dura
em média de 6 a 9 meses, é realizado o acompanhamento
deste plano.
Prestação
de Serviços à Comunidade - O adolescente presta
serviços comunitários realizando tarefas gratuitas de
interesse geral junto a entidades de assistência, hospitais, escolas,
programas governamentais ou comunitários de acordo com o Art.117
do ECA. As tarefas devem ser de interesse do adolescente, respeitando
suas habilidades e a jornada não pode exceder 08 (oito) horas
semanais, nem prejudicar a freqüência na escola. Durante
o cumprimento da medida, o adolescente é acompanhado através
de um orientador social (técnico em Serviço Social, pedagogo,
psicólogo ou de nível médio), pessoa designada
para acompanhar o adolescente e a família desde o acolhimento
até o desligamento (revogação) da medida.
Recursos - Este ano,
mais de R$ 6 milhões serão investidos pela Secretaria
Especial de Direitos Humanos (SEDH) e pelo Fundo Nacional dos Direitos
da Criança e do Adolescente (FNDCA) na municipalização
das medidas sócio-educativas em meio aberto. Segundo o coordenador
do Pro-SINASE, Fábio Silvestre, em 2008, 301 cidades serão
beneficiadas. O critério para concorrer aos recursos é
ter acima de 100 mil habitantes (com exceção aos municípios
da região Norte) e ter Centro de Referência Especializado
da Assistência Social (CREAS). A proposta, afirma Fabio Silvestre,
é que até 2010 todas as cidades com mais de 50 mil habitantes
estejam responsáveis pela aplicação das medidas
socioeducativas em meio aberto.
Sugestão de abordagem
1) Procure saber se como está a implementação dos
programas de medidas socioeducativas em meio aberto em sua cidade. Como
os programas são de responsabilidade do governo municipal, você
pode entrar em contato com a prefeitura.
2) No caso de municípios em que já há implementação
de medidas em meio aberto, busque saber se há déficit
de vagas e qual o percentual de atendimentos em meio aberto em relação
ao meio fechado.
3) Procure saber quanto custa, em sua cidade o atendimento em meio aberto
e compare com quanto se gasta para manter os jovens em meio fechado.
Explore também o impacto social do atendimento em meio aberto.
SUGESTÕES DE FONTES
Secretaria Municipal da Criança e Assistência
Social de São Luís
Silene Ferreira Gomes – Diretora do núcleo de Medidas Sócio-educativas
(098) 3214 1082
Assessoria de Comunicação: 3214-1081
Renato Pedrosa
Advogado da Terre des Hommes
(98) 3231 2544
Fábio Silvestre – coordenador Pro-Sinase
- (61) 3429-3998 e (61) 8475-9198 – fabio.silvestre@sedh.gov.br
. Assessoria de Comunicação (61) 3429-9440 (m) (61) 3429-9805
(t) - assessora: Alessandra Meirelles - alessandra.costa@sedh.gov.br
Conselho Estadual de Direitos da Criança e do Adolescente
Pe. Jean Marrie Van Dame (Presidente)
Fone: (98) 3221 2309
Conselho Municipal Direitos da Criança e do Adolescente
de São Luís
Ilvaneide Ferreira (Presidente)
Fone: (98) 3214 1088 / 3214 1073