São Luís/MA, 7/07
a 13/07/2008> Edição nº182
SUGESTÃO DE PAUTA DA SEMANA
Garanta prioridade absoluta para
a cobertura de infância e adolescência em seu veículo.
No próximo 13 de julho, o Estatuto da Criança e do Adolescente
completa 18 anos. Até lá, as agências da Rede ANDI
Brasil estarão mobilizadas na produção de material
informativo para que você, jornalista, realize boas matérias
sobre o tema. Para mais informações, entre em contato
conosco (98) 3254 0210 ou acesse nossos sites: www.redeandibrasil.org.br
ou www.matraca.org.br
Estatuto: 18 anos de direitos para todas
crianças e adolescentes
Educação, saúde e assistência
social são alguns dos pontos que avançaram;
Conselhos ligados à infância e adolescência são
um grande avanço do ECA;
Comprometimento e articulação seguem como desafios para
implementação integral do Estatuto.
No próximo dia 13,
o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 18 anos.
Tida como uma das leis mais avançadas do Brasil, o ECA atinge
sua “maioridade” tendo à frente grandes desafios,
mas já registrando importantes avanços na garantia dos
direitos de meninos e meninas. Atualmente, o Brasil conta com cerca
de 60 milhões de crianças e adolescentes, o que equivale
à população da Itália e representa quase
um terço do total de brasileiros. De 1990 a 2008, esses meninos
e meninas foram beneficiados por importantes avanços na garantia
de alguns de seus direitos fundamentais, como o direito à vida
e à educação. A mortalidade infantil, por exemplo,
sofreu uma redução de 48,7% nesse período, segundo
dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, atingindo,
em 2007, o índice de 24 mortes a cada mil nascidos vivos. No
maranhão, em 1991, um ano após a criação
do ECA esse índice era de 81,97%, apesar de ainda termos a segunda
maior taxa de mortalidade infantil do País atualmente (40,7%),
houve uma redução de mais de 50% na taxa nos últimos
18 anos.
Na educação, o País
está quase atingindo a universalidade no Ensino Fundamental:
na última Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD),
de 2006, registrava-se 95% das crianças e adolescentes entre
7 e 14 anos freqüentando esse nível de ensino. No Maranhão
esse índice é de 96%. Os índices de analfabetismo
também apresentaram queda avassaladora: no início da década
de 90, 14,4% dos meninos e meninas do Brasil de 10 a 14 anos eram analfabetos,
no Maranhão esse índice era de 37,81%.
Na área da saúde,
não há casos registrados de pólio desde 1989 e
o calendário de vacinação tem se consolidado como
um importante compromisso de pais e de governantes, como forma de proteger
crianças e adolescentes de doenças. Hospitais que atendem
exclusivamente crianças também são um importante
avanço nesses 18 anos de história. Na avaliação
do oficial de projetos do Fundo das Nações Unidas para
a Infância (UNICEF), Mário Volpi, o estatuto conseguiu
se firmar em políticas nas áreas de assistência
social, saúde e educação. Mais que a realidade
mostrada pelos números, isso pode ser visto no cotidiano. Um
exemplo: hoje em dia, os pais sabem que seu filho tem direito a estudar
e que, caso isso não ocorra, podem recorrer ao Conselho Tutelar,
que tem instrumentos legais para requisitar a vaga.
O que é o Estatuto da Criança
e do Adolescente
A Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança
e do Adolescente) é um conjunto de normas jurídicas que
complementa o artigo 227 da Constituição Brasileira. Ele
representa um divisor de águas na história da infância
e da adolescência brasileiras ao substituir a lógica da
Doutrina da Situação Irregular pela Doutrina da Proteção
Integral. Em outras palavras, o Estatuto instaura direitos para todas
as crianças e adolescentes, entendendo-os como sujeitos de direitos
e garantindo um atendimento integral, que leva em conta as diversas
necessidades desse público. O estatuto também cria medidas
protetivas (voltadas para situações em que os direitos
de meninos e meninas são ameaçados ou violados) e medidas
sócio-educativas (aplicadas para adolescentes que cometem atos
infracionais). O Estatuto marca uma nova fase de direitos para crianças
e adolescentes.
Mário Volpi, alerta para
a necessidade de se investir forças para garantir os direitos
daqueles meninos que ainda estão alijados das políticas
públicas. O oficial de projetos destaca três pontos fundamentais
que precisam de atenção imediata: o trabalho infantil,
a violência sexual contra crianças e adolescentes e a violência
cometida por garotos e garotas. “Precisamos de uma resposta a
essas crianças. Por exemplo, nos casos de trabalho infantil:
você pode punir quem a explorou, inserir os pais em programas
sociais, mas a reparação a essa criança ainda é
frágil”, avalia. Entre os temas citados por Mário,
o combate ao trabalho infantil e à violência sexual aparecem
como focos do esforço realizado atualmente pelo Fórum
Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. A articulação,
que completa 20 anos em 2008, reúne organizações
sociais de todo o Brasil que atuam na garantia de direitos de meninos
e meninas. Ele foi um dos principais atores políticos na mobilização
pró-Estatuto, no final da década de 80. Para Mário,
a sociedade brasileira vivenciou, desde a implementação
do ECA, um período de lutas centradas na dimensão social
da garantia dos direitos. Agora, é necessário dar um passo
além para se efetivar a dimensão subjetiva. “Além
de direitos para todas crianças e adolescentes, é preciso
se pensar em direitos para cada uma dessas crianças e desses
adolescentes”, explica Mário, reforçando a necessidade
de se desenvolver cuidados específicos, que levem em conta a
singularidade de cada menino e menina.
Fortalecimento
dos conselhos
Quando o Estatuto da Criança
e do Adolescente foi promulgado, trouxe consigo uma novidade para a
estruturação das políticas para a infância
no Brasil: a criação de conselhos. Os Conselhos Tutelares
são voltados para garantir a execução do que é
preconizado pela lei, atuando na ponta do sistema de atendimento. São
Luís conta atualmente com cinco conselhos tutelares e no dia
13 de julho, dia do aniversário do ECA o Conselho Municipal dos
Direitos da Criança e do Adolescente realizará a eleição
para escolha de conselheiros tutelares da área Coroadinho-João
Paulo e área rural, este elegendo seus conselheiros pela primeira
vez e é o sexto conselho tutelar implantado no município
de São Luís.
Já os Conselhos dos Direitos
da Criança e do Adolescente (CDCAs) são órgãos
deliberativos, compostos por representantes do governo e da sociedade
civil e que tem como função trabalhar na articulação
das políticas públicas. Pesquisa divulgada pela Secretaria
Especial de Direitos Humanos (SEDH) em 2007, mostrou que mais de 90%
dos municípios brasileiros já contam com CMDCAs e Conselhos
Tutelares. Na avaliação de uma das coordenadoras do portal
Pró-Menino e integrante da equipe que realizou a pesquisa, Gisella
Lorenzi, o cenário é favorável quando analisada
a implementação desses órgãos. Mas ainda
há grande precariedade quando é avaliada sua atuação.
“Gestão, infra-estrutura e competência técnica
são algumas das deficiências importantes”, considera.
Para a presidente do Conselho
Municipal da Criança e do Adolescente de São Luís,
Ilvaneide Ferreira, houve muitos avanços, embora os desafios
que se apresentam sejam imensos ao se pensar na quantidade de crianças
que têm seus direitos violados diariamente, e também ainda
é necessário maior vontade política para que o
Estatuto funcione plenamente, além da conscientização
da sociedade. “Quando o princípio da prioridade absoluta
for respeitado, principalmente no que se refere ao orçamento
dos governos, certamente teremos melhor qualidade de vida para as nossas
crianças e adolescentes”.
O estudo realizado pela SEDH também
mostra que há alguns estados em que a presença dos conselhos
é mais fraca. Paraíba, Maranhão, que à época
da pesquisa ainda tinha 28% dos municípios sem CMDCA, Tocantins
e Amazonas registram média inferior a um conselho a cada quatro
municípios. Para a secretária-executiva do Fórum
Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Jimena Grignari,
para que os conselhos de fato existam, é preciso mobilização
local. “As organizações da sociedade civil devem
cobrar dos prefeitos a implantação dos conselhos e onde
os conselhos existem devem exigir que eles tenham as condições
ideais de funcionamento”, chama a atenção. Um grande
desafio quando se fala na atuação dos conselhos, é
a manutenção do Sistema de Informação para
a Infância e Adolescência (Sipia). Criado em 2003, o Sipia
é um banco de dados sobre crianças e adolescentes, projetado
para receber informações oriundas de Conselhos Tutelares
de todo o País. Com o sistema, esperava-se poder obter dados
atualizados sobre a população infanto-adolescente brasileira,
permitindo o desenvolvimento de ações voltadas para os
problemas mais comuns. Entretanto, o banco está distante de atingir
a universalidade pretendida. Dados gerados do início de 2008
até o dia 20 de junho mostram informações de apenas
11 estados mais o Distrito Federal. Dos 17.977 registros, 59,8% são
do Paraná (ver Tabelas 1 e 2). Mas mesmo entre os municípios
paranaenses, o percentual de uso do Sipia ainda é baixo: menos
da metade das cidades registrou dados no sistema.
Campanha Nacional em Brasília
Está marcado para o dia
10 de julho, às 9h, no Salão Nobre da Câmara dos
Deputados, em Brasília, a apresentação, à
sociedade, do documento “Estatuto da Criança e do Adolescente:
18 anos, 18 Compromissos - A criança e o adolescente no centro
da gestão municipal”. A proposta é que as organizações
que atuam na defesa dos Direitos da Infância e Adolescência
apresentem este documento aos candidatos a prefeito e vereador em todos
os municípios brasileiros nas próximas eleições.
Os que concordarem com o conjunto de propostas, vão assumir o
compromisso de colocar em prática as sugestões, caso sejam
eleitos. No evento, será lançada também uma campanha
publicitária que comemora os 18 anos do ECA. A idéia é
que logomarca, slogan, cartazes, spots para rádio, vídeos
para TV entre outras peças publicitárias possam ser utilizadas
por todos os atores sociais interessados.
Linha
do Tempo dos direitos infanto-adolescentes na história do Brasil
1927– Promulgação do Código
de Menores: primeiro documento legal para população menor
de 18 anos, conhecido como Código Mello Mattos.
1930 – Criação do Ministério
da Educação: chamado Ministério da Educação
e Saúde Pública, foi um dos primeiros atos do governo
provisório de Getúlio Vargas.
1942 – Criação do Serviço
de Assistência ao Menor (SAM): órgão do Ministério
da Justiça que funcionava como um equivalente ao sistema penitenciário
para a população menor de 18 anos.
1948 – Declaração Universal dos
Direitos Humanos: instrumento regulatório de abrangência
internacional que pretendia evitar o surgimento de outra guerra das
dimensões da II Guerra Mundial.
1950 – UNICEF no Brasil: instalado em João
Pessoa (PB), o UNICEF chega ao Brasil quatro anos após seu surgimento
no exterior. Traz para o País programas de proteção
à saúde da criança e da gestante nos estados do
nordeste brasileiro.
1959 – Declaração Universal dos
Direitos da Criança: aprovada pela Assembléia Geral das
Nações Unidas, aumentou o elenco dos direitos aplicáveis
à população infantil.
1964 – Criação da Funabem: a Fundação
do Bem Estar do Menor, substituta do SAM, foi criada por lei no primeiro
governo militar. Um de seus objetivos era o de formular e implantar
a Política Nacional do Bem-Estar do Menor.
1979 – Segundo Código de Menores: revogado
o Código de Menores Mello Mattos, surge o Código de Menores
de 79, que mantém a mesma linha de arbitrariedade, assistencialismo
e repressão junto à população infanto-juvenil.
1988 – Constituição Federal do
Brasil: considerada a “Constituição Cidadã”,
inova ao introduzir um novo modelo de gestão das políticas
sociais, com a criação dos conselhos deliberativos e consultivos.
Durante sua elaboração, um grupo de trabalho se reuniu
para concretizar os direitos da criança e do adolescente. O resultado,
foi o artigo 227, base para a elaboração do Estatuo da
Criança e do Adolescente.
1989 – Convenção Internacional
dos Direitos da Criança: um dos mais importantes tratados de
direitos humanos, ratificado por todos os países membros da ONU
com exceção dos Estados Unidos e da Somália.
1990 – Promulgação do Estatuto da Criança
e do Adolescente: é considerado um documento exemplar de direitos
humanos, concebido a partir do debate de idéias e da participação
de vários segmentos sociais envolvidos com a causa da infância
no Brasil.
Semana 18 anos do ECA em
São Luís
Em São Luís uma programação
articulada entre Conselho Municipal dos Direitos da Criança e
do Adolescente de São Luís (CMDCA), Rede Amiga da Criança
e o Fórum de Organizações Não-Governamentais
em Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes (Fórum
DCA) com atividades de 12 a 18 de julho lembrarão os 18 anos
do Estatuto da Criança e do Adolescente. Confira a programação:
12/07
(SÁBADO): ABERTURA DA SEMANA – I Torneio de Futsal “Da
rua para o Esporte”.
8h às 17h30 – Torneio de Futsal Masculino e Feminino na
área Itaqui-Bacanga.
Local: Praça do Viva da Vila Embratel e no Núcleo de Esportes
da UFMA.
A programação começa com um bate-papo sobre o ECA
na praça do Viva da Vila Embratel e depois acontecem os jogo
no mesmo local e no Núcleo de Esportes da UFMA. O torneio faz
parte do Projeto “Da Rua para o Esporte”, executado pela
Pastoral do Menor, com o apoio do Fundo Municipal dos Direitos da Criança
e do Adolescente e Criança Esperança.
Mais informações:
Pastoral do Menor: (98) 3228 8444.
Josenilde (98) 8145 9855 ou Raquel (98) 8145 9853.
14/07 (SEGUNDA-FEIRA) - Oficina
para adolescentes
Oficina
coordenada pelo Centro de Cultura Negra, Peads e Cepromar. Os
alunos da oficina produzirão materiais de comunicação
que serão usados no encerramento da semana.
16/07 (QUARTA-FEIRA): Ciclo de
Palestras 18 anos do ECA
Palestra sobre “Violações
de Direitos - Combate à Exploração Sexual de Crianças
e Adolescentes e do trabalho infantil”, às 16h no auditório
da Universidade Virtual do Maranhão – Univima (Rua Portugal,
Praia Grande), com transmissão ao vivo, através do sistema
de videoconferências aos demais pólos da Univima. A atividade
faz parte de um Ciclo de Palestras organizado pela Agência de
Notícias da Infância Matraca que acontece todas as quartas-feiras
do mês de julho.
Mais informações:
Agência de Notícias da Infância Matraca: (98) 3254
0210 / Jeane Pires: (98) 8867 8984.
17/07 (QUINTA-FEIRA): Oficina
sobre o ECA
Oficina sobre o ECA, das 8h às
12h, na Escola Técnica do SUS. Organização: Comitê
Juvenil do Fórum DCA e Protagonismo Juvenil em Rede (Projur).
Mais informações:
Luciano Nascimento (98) 8816 9940 ou (98) 3231 2544.
18/07 (SEXTA-FEIRA): ENCERRAMENTO
DA SEMANA – Caminhada, ato público e dia de lazer no Parque
do Bom Menino.
8h – Concentração
na Praça Deodoro e caminhada até o parque do Bom Menino.
8h30 – Ato público em frente ao Conselho Municipal dos
Direitos da Criança e do Adolescente (Rua da alegria, Centro).
9h às 17h – Atividades de lazer no Parque do Bom Menino.
Durante o dia, estarão reunidos crianças e adolescentes
atendidas pelos projetos da Rede Amiga da Criança.
Mais informações:
Rede Amiga da Criança
Ivana Braga (98) 8857 8283, Ramon Bezerra (98) 8834 0601 e Luciano Nascimento
(98) 8816 9940.
SUGESTÕES DE FONTES
Conselho Estadual de Direitos da Criança e do Adolescente
Pe. Jean Marrie Van Dame (Presidente)
Fone: (98) 3221 2309
Conselho Municipal Direitos
da Criança e do Adolescente de São Luís
Ilvaneide Ferreira (Presidente)
Fone: (98) 3214 1088 / 3214 1073
UNICEF-MA
Eliana Almeida (coordenadora)
4009 5700
Imaculada Prieto (Oficial de Comunicação)
4009 5703
Fundação
Terre des Hommes
Renato Pedrosa (Assessor Jurídico e Conselheiro Estadual dos
Direitos da Criança e do Adolescente)
(98) 3231 2544
Comitê Nacional
de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças
e Adolescentes
Neide Castanha – coordenadora
(61) 3347-8524
www.comitenacional.org.br
Conselho Nacional dos
Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda)
Maria Luiza Moura oliveira – presidente
(61) 3429-8836
Fórum Nacional
dos Direitos da Criança e do Adolescente
Jimena Grignani – secretária-executiva
(61) 3323-6992/ 6444 (falar com Selma)
www.forumdca.org.br
Fundo das Nações
Unidas para a Infãncia (UNICEF) - DF
Mário Volpi – oficial de projetos
(61) 3035-1947 (falar com Alexandre/ Assessor de imprensa)
www.unicef.org.br
Pesquisa Conhecendo a Realidade
http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sedh/.arquivos/.spdca/idpesquisaconhecendoarealidade.pdf