Prioridade Absoluta

São Luís/MA, 28/08 a 03/09/2006> Edição nº99

SUGESTÃO DE PAUTA DA SEMANA

Seminário "Incesto: violência invisível que rouba a infância" acontece em São Luís

A vergonha, o silêncio imposto, a solidão e as longas noites vazias. O cenário cruel da casa é marcado pela presença de uma criança que ali está por um longo, muito longo período de espera. Isolada, por vezes contida em seu medo, é obrigada a suportar a realidade do incesto que absorve suas forças com intensa violência e angústia. O silêncio familiar guarda a informação sobre a sua dor, o seu destino, a sua vida.

É para combater esta violência invisível que rouba a infância, que a Paróquia Santíssima Trindade, Conselho Tutelar-Área Cidade Operária, Clínica Psicanalítica da Violência do Rio de Janeiro através da Rede Revirança e o Centro de Defesa Padre Marcus Passerini, apoiados pela Medicus Mundi - Itália e da Fondazione Cariplo, organizam o Seminário" Incesto: violência invisível que rouba a infância" nesta quinta-feira (31), para sensibilizar os profissionais das áreas de educação, saúde e justiça, visando intervir, tratar e orientar pessoas que sofrem violência sexual.

A proposta deste Seminário é a de expandir a Rede Revirança no estado do Maranhão, lançando as bases para a ampliação da primeira Rede Nacional de Assistência e Atendimento Psicossocial no Brasil.

Incesto - Incesto é a relação sexual ou marital entre parentes próximos. É um tabu em quase todas (ou de certa forma, em todas) as culturas humanas. Em alguns casos é punido como crime, em outros é considerado “pecado” (como o é para a maiores religiões do mundo) e em outros é simplesmente motivo de zombaria. Avalia-se que apenas 10 a 15% dos casos de incesto são revelados, sendo que 20% das mulheres e de 5 a 10% dos homens foram vítimas de abuso sexual na infância ou na adolescência.

Na expressiva maioria, 90% dos delitos são cometidos por homens que as vítimas amavam, respeitavam e confiavam: 69,6% dos agressores é o pai biológico; 29,8% o padrasto e 0,6% o pai adotivo. Não há registro de abuso por parte de pais homossexuais.

Por ser praticado no silêncio do lar, o incesto é um crime que todos escondem, parece ser um fato sobre o qual ninguém pode falar, que não se deve discutir. É um fato que todos insistem em não ver, pois ninguém acredita que existe. O incesto é um delito cujo início é marcado por uma relação de afeto, um vínculo de confiança. São práticas que começam com gestos gentis, toques e carícias que a vítima recebe de uma pessoa que ela ama, que ela respeita e à qual deve obediência.

Há uma enorme dificuldade de emprestar credibilidade à palavra da vítima. Quando são crianças, costuma-se pensar que elas usam da imaginação ou que foram induzidas a mentir. Quando são adolescentes, acredita-se que elas provocaram o abusador, seduziram-no, insinuaram-se a ele, justificando, assim, a prática do delito. A vítima é inquirida se sentiu prazer, como se esse fato tivesse alguma relevância para a configuração do delito. Com isso, a responsabilidade pelo crime passa a ser atribuída a ela, e não ao réu.

No atual processo penal, a vítima é ouvida mais de uma vez e, em cada depoimento, revive os fatos, sofrendo nova violência. É revitimizada cada vez que precisa relatar perante estranhos o que aconteceu. É ouvida por pessoas não capacitadas para este tipo de escuta. No fim, cansada de repetir a mesma história, de ser sempre perguntada sobre o que quer esquecer, acaba caindo em contradições, o que geralmente enseja um juízo de absolvição por ausência de prova...

Devido à sua gravidade e ao crescimento vertiginoso de casos, com certeza também estimulados pela cultura erotizada que respiramos, este é um grave problema de saúde pública e exige medidas adequadas, urgentes e enérgicas. Sobretudo devido à escassez de serviços especializados para atender as vítimas e seus familiares.

Clínica Psicanalítica da Violência - A Clínica Psicanalítica da Violência é a primeira instituição referência no Brasil a oferecer tratamento psicanalítico especializado a crianças, adolescentes e adultos expostos a intensa violência familiar, social ou insitucional. Visa a intervenção direta através da sua equipe a fim de tratar todas as formas abertas ou veladas da violência, exploração e abuso sexual. Está voltada principalmente para crianças e adolescentes que buscam no tratamento psicanalítico a elaboração do trauma sofrido.

Rede Revirança - A Rede Revirança e uma rede de especialistas para o atendimento psicossocial a crianças e adolescentes expostos à violência sexual em busca de respostas para tentar mudar o destino da criança violentada. Sua função é de proteção, de expansão, de dinâmica e também de harmonia.

A Rede apresenta uma proposta inovadora que, além de centralizar a psicanálise em torno da clínica social, estabelece mecanismos de encaminhamentos para profissionais e instituições especializadas que integram e rede de parcerias da Clínica Psicanalítica da Violência.

Mais informações
Elivania Estrela - 81287723
Vanez - 32576311

SERVIÇO
O que: Seminário Incesto: violência invisível que rouba a infância
Quando: 31 de agosto de 2006
Horário: 8:00 às 18:00
Onde: UEMA - Centro de Ciências Exatas - Auditório Reitor César Pires

Programação

09:00 – Abertura com apresentação do projeto Sócio Sanitário - Medicus Mundi e Parceiros Locais e Regionais

Apresentação de Peça Teatral (grupo GAMAR)

09:30 – Filme “A escuta do silêncio: o incesto através do olhar da criança em análise”

10:15 – Intervalo

10:45 – “Afetos Secretos”
Graça Pizá- Psicanalista
Diretora da Clínica Psicanalítica da Violência do Rio de Janeiro

11:15 – Debates sobre o filme

12:00 – Almoço

14:00– Apresentação do Projeto Rompendo Silêncio - Centro de Defesa Padre Marcus Passerini

15:00–“Segredo de Família” Gabriella F. Barbosa - Psicanalista
Assistente de Dir da Clínica Psicanalítica da Violência do Rio de Janeiro

16:00 – Intervalo/café

16:15 – Mesa Redonda “Incesto- a violência invisível que rouba a infância” CLIVIOL e Centro de Defesa Marcus Passerini

18:00 – Apresentação Teatral e encerramento

 
 
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