São Luís/MA, 04 a
10/06/2007> Edição nº131
SUGESTÃO DE PAUTA DA SEMANA
No semi-árido o Trabalho Infantil ainda é
uma triste realidade
Diversas razões levam crianças e adolescentes ao trabalho
precoce, sendo a mais perceptível a pobreza. Geralmente crianças
e adolescentes começam a trabalhar para ajudar no sustento da
família. No entanto, um outro aspecto que incentiva a prática
é a visão cultural que permeia muitos lares brasileiros
de que trabalhar é uma forma de evitar o envolvimento com a marginalidade.
Essa forma de encarar a questão, acaba ocultando os desrespeito
a inúmeros direitos como a educação, saúde,
lazer, convivência familiar entre outros.
Movimentos em defesa dos direitos de crianças e adolescentes e
alguns organismos internacionais lutam para tentar mudar essa realidade.
A partir de uma iniciativa OIT - Organização Internacional
do Trabalho, desde 2002, no dia 12 de junho é comemorado ‘O
Dia Mundial contra o Trabalho Infantil’. Neste ponto, o Brasil ainda
tem muito a fazer para que meninos e meninas deixem de ser os arrimos
de suas famílias. Segundo a legislação brasileira,
o trabalho é vedado até os 18 anos de idade, salvo na condição
de aprendiz (com registro em carteira e somente a partir de 14 anos).
Além disso, a Convenção 182 da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil em setembro de
2000, estabelece cinco práticas como piores formas do trabalho
infantil que são: Trabalho Infantil Doméstico (TID), Exploração
Sexual Comercial, Trabalho Informal Urbano, Trabalho Agrícola,
Tráfico e Plantio de Entorpecentes.
Dentre as piores formas de trabalho infantil, pelo menos duas estão
muito presentes na região semi-árida do brasil, o trabalho
agrícola e o trabalho infantil doméstico(TID). Por ser no
campo, e onde está a agricultura familiar, as situações
de trabalho infantil são mais corriqueiras, porque as crianças
estão acostumadas a ‘ajudar os pais’ com a lavoura,
principalmente os meninos. As famílias não vêem como
exploração do trabalho infantil, mas como uma forma de torná-los
responsáveis pelos bens da família. Nessa época do
ano, muitos alunos deixam de ir às escolas para acompanhar os pais
na colheita. Todos os anos, especialmente no período do plantio
e colheita, milhares de crianças brasileiras que residem em zonas
rurais afastam-se da infância e aproximam-se da exploração
de sua mão-de-obra. Nos municípios do Semi-árido,
devido à irregularidade das precipitações, as famílias
intensificam seu trabalho para aproveitar os curtos períodos de
chuva e iniciar o preparo da terra. Normalmente, essa prática se
intensifica no final do primeiro semestre, justamente na época
em que é celebrado o Dia Internacional contra o Trabalho Infantil,
12 de junho.
Sob a alegação, algumas vezes até bem intencionada,
de “ajuda”, o trabalho infantil doméstico acaba escondendo
a violação de direitos básicos, como educação,
saúde, lazer, convivência familiar e comunitária,
entre outros. A grande maioria dessas crianças é do sexo
feminino. São, geralmente, meninas que moravam na zona rural e
são enviadas às grandes cidades para ajudar no sustento
familiar (apesar de muitas não terem nenhum tipo de rendimento,
recebendo somente alimentação e roupas) ou mesmo em busca
de melhores oportunidades de estudar. Para justificar a baixa ou ausência
de remuneração, as famílias afirmam que aquela criança,
muitas vezes um afilhado do interior, é tratado como se fosse da
família. No entanto, tem tratamento diferenciado das outras crianças
da casa, precisa fazer todos os tipos de trabalho doméstico, inclusive
cuidar de outras crianças, e recebe em troca, apenas comida, roupas
– muitas vezes usadas – e um local para dormir. As desvantagens
são muito maiores do que qualquer tipo de benefício que
essas crianças possam vir a receber. A infância diminui,a
s responsabilidades aumentam, os estudos são prejudicados e um
futuro digno fica quase inatingível.
Sugestões de abordagem
Como estas formas de trabalho afetam a vida escolar
das crianças e adolescentes?
Há registro da evasão escolar causada
pelo trabalho infantil na agricultura?
Verificar junto à Secretaria Estadual
de Desenvolvimento a atuação do Programa de Erradicação
do Trabalho Infantil – Peti e ver porque alguns municípios
ainda não têm o programa.
Converse com especialistas sobre os problemas
de saúde (intoxicação por agrotóxico, doenças
motoras, problemas na coluna, e seqüelas decorrentes das atividades
inadequadas para a idade) provocados pelo trabalho infantil na agricultura.
Porque não devemos tolerar o Trabalho
Infantil
O trabalho precoce priva a criança de
seu direito à educação, ao convívio familiar,
à saúde e ao lazer;
As crianças são mais vulneráveis
às doenças e aos acidentes de trabalho;
Os serviços e locais perigosos e insalubres
podem trazer danos irreparáveis à saúde;
A criança é um ser em desenvolvimento.
Carregamento de peso excessivo afeta sua formação física;
Os problemas de saúde mais comuns provocados
pelo trabalho precoce são: fadiga excessiva, distúrbios
do sono, irritabilidade, dores na coluna, alergias e problemas respiratórios;
Estatísticas mostram percentuais alarmantes
de incapacidades permanentes, mutilações e mortes de crianças
e adolescentes submetidos aos rigores do trabalho;
Começar a trabalhar cedo provoca a perda
da alegria natural da infância e transforma a criança em
adulto antes do tempo;
O trabalho infantil tem como conseqüência
o fracasso ou abandono escolar.
O que diz a lei – Segundo
a legislação brasileira, o trabalho é proibido
até os 18 anos em atividades consideradas perigosas e insalubres
(chamadas piores formas de trabalho infantil). A Convenção
182 da OIT, ratificada pelo Brasil em setembro de 2000, afirma que é
vedada a participação de menores de 18 anos em atividades
que ofereçam riscos à sua saúde e integridade física.
Enquadram-se nesse ponto diversas culturas agrícolas, a exemplo
da maçã, fumo, café, laranja e tomate, devido,
entre outros riscos, à exposição a agrotóxicos,
uso de instrumentos cortantes, transporte de peso excessivo e inalação
de substâncias tóxicas.
Conseqüências – Algumas
marcas deixadas pelo trabalho infantil vão além das cicatrizes
externas, geradas por lesões ou pela exposição
a produtos químicos. Muitas passam a apresentar uma dificuldade
em manter relacionamentos afetivos por terem sido expostas a maus-tratos
dos patrões ou mesmo por terem sido levadas à exploração
por seus pais, pessoas que deveriam protegê-las. Além disso,
são vários os meninos e meninas que passam a maior parte
do tempo com adultos e perdem a oportunidade de conviver com pessoas
da sua idade. O trabalho precoce interfere diretamente no desenvolvimento,
físico, emocional, social e educacional das crianças e
adolescentes.
No entanto, uma das conseqüências mais notórias na
vida dos pequenos trabalhadores é a queda no seu desempenho escolar.
Muitos abandonam as salas de aula e aqueles que permanecem, devido ao
cansaço e ao tempo reduzido para se dedicar aos estudos, são
reprovados. Após a queda do rendimento, não raro, a própria
criança se considera incapaz de aprender, optando por abandonar
a escola.
Mitos sobre o trabalho infantil:
“Crianças e jovens (pobres) devem trabalhar para ajudar
a família sobreviver”
É a família que deve amparar a criança e não
o contrário. Quando a família se torna incapaz de cumprir
essa obrigação, cabe ao Estado apoiá-la, não
às crianças.
“Criança que trabalha fica mais esperta, aprende a lutar
pela vida e tem condições de vencer profissionalmente
quando adulta”
O trabalho precoce nunca foi estágio necessário para uma
vida bem-sucedida. Ele não qualifica e, portanto, é ineficaz
como mecanismo de promoção social. O tipo de trabalho
que as crianças exercem, rotineiro e mecânico, impede-as
de realizar as tarefas adequadas à sua idade.
“O trabalho enobrece a criança. Antes trabalhar que roubar”
O trabalho infantil marginaliza a criança de família com
poucos recursos das oportunidades que são oferecidas às
outras. Sem poder viver a infância estudando, brincando e aprendendo,
a criança que trabalha perde a possibilidade de, no presente,
exercer seus direitos de criança cidadã e perpetua o círculo
vicioso da pobreza e da baixa instrução.
“O trabalho é bom substituto para a educação”
Muitas famílias, sem vislumbrar outras possibilidades de enfrentamento
das dificuldades e de complemento do orçamento, acabam incorporando
a idéia de que é melhor encaminhar seus filhos ao trabalho.
O trabalho infantil não se justifica e não resolve coisa
alguma. A solução para essa problemática é
prover as famílias de baixa renda de condições
tais, como um trabalho decente aos pais ou responsáveis, para
que possam assegurar às suas crianças um desenvolvimento
saudável.
Mais Informações:
Fórum Maranhense de Erradicação do Trabalho Infantil
Paulo Buzar - Coordenador
8813 5025
Secretaria Estadual de Desenvolvimento
Floripes Silva Pinto / Vilma Oliveira
3218 8308 / 3218 8653
Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação
do Trabalho Infantil - FNPETI
Isa Oliveira (Secretária executiva)
(61) 3429-3880
forum.nacional@mj.gov.br
www.fnpeti.org.br
OIT - Organização Internacional do Trabalho
Pedro Américo de Oliveira
(61) 2106-4600
AGENDA
Segunda, 11
Último dia de inscrição para o Prêmio Itaú-Unicef,
cujo tema é " Todos pela Educação"
O Prêmio Itaú-Unicef tem o objetivo
de dar visibilidade a iniciativas da sociedade civil, reconhecendo e
estimulando o trabalho de organizações sem fins lucrativos
que contribuem, em articulação com a escola pública,
para a educação integral de crianças e adolescentes.
Iniciativa da Fundação Itaú Social e do Fundo das
Nações Unidas para Infância (Unicef), o Prêmio
Itaú-Unicef é coordenado pelo Centro de Estudos e Pesquisas
em Educação, Cultura e Ação Comunitária
(Cenpec). Nesta edição de 2007, o Prêmio Itaú-Unicef
soma esforços ao Compromisso Todos pela Educação,
com o desafio de mobilizar os vários setores da sociedade em
prol da educação pública de qualidade e coloca
como tema central de todo o processo de premiação um convite
especial à sociedade brasileira: Todos pela Educação!
Mais Informações e onscrições
no endereço: http://www.educacaoeparticipacao.org.br/premio
Terça, 12
Vídeoconferência sobre enfrentamento
à violência sexual contra crianças e adolescentes
O Centro de Apoio Operacional da Infância
e JuventudeCAOp/IJ e o Centro de Defesa Pe. Marcos Passerine realizarão
nos dias 12 e 19 de junho, duas videoconferências sobre o tema
do enfrentamento da violência sexual contra crianças e
adolescentes no estado, utilizando os pólos da UNIVIMA. Essa
atividade faz parte das ações do projeto Rompendo o Silêncio
e tem o apoio da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência
da República.
Quarta, 13
Lançamento da Frente Parlamentar Municipal de Defesa dos Direitoa
da Criança e do Adolescente
Será instalada oficialmente na quarta-feira
(13), às 10h no plenário da Câmara Municipal de
São Luís, a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos
da Criança e do Adolescente. Criada inicialmente no Congresso
Nacional, em 1993, a frente é um movimento suprapartidário
que congrega os parlamentares de todos os matizes ideológicos
em prol das crianças e dos adolescentes brasileiros.
Em São Luís, a organização da frente contou
com a participação de inúmeras entidades que atuam
na defesa dos direitos de crianças e adolescentes, entre elas O
Fórum DCA e a Rede Amiga da Criança.