São Luís/MA, 22/10
a 28/10/2007> Edição nº150
SUGESTÃO DE PAUTA DA SEMANA
25
de outubro: Dia Nacional de Mobilização pelo Registro
Civil
Santa Quitéria, Barreirinhas,
Nina Rodrigues, Brejo e Buriti - cidades do semi-árido maranhense
- já erradicaram o sub-registro
A próxima quinta-feira (dia 25) é o Dia Nacional de Mobilização
pelo Registro Civil. A data é uma oportunidade para dar visibilidade
e pensar estratégias de enfrentamento a um problema que afeta
grande parte das crianças e adolescentes brasileiras: a falta
da certidão de nascimento.
Mais de 370 mil meninos e meninas nascidos no Brasil não possuem
registro civil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), divulgados em 2005, mostram que os estados de Roraima, Amapá
e Pará apresentam os maiores números de sub-registro -
crianças sem registro civil - do País, com índices
de 37,1%, 32,1% e 31,5%, respectivamente.
Os dados do IBGE referentes a 2005 apontam que ainda há muito
que fazer para a erradicação do sub-registro. O problema
está ligado muitas vezes a aspectos como a falta de fiscalização
sobre a aplicabilidade da Lei nº 9.534, de 10 de dezembro de 1997,
que obriga os cartórios a emitirem os registros de nascimento
gratuitamente, a inexistência na maioria dos municípios
de uma rede de proteção à criança que atente
ao problema do sub-registro de nascimento, a dificuldade de acesso e
as constantes paralisações dos cartórios.
Importância do Registro Civil
O Art.7 da Convenção sobre
os Direitos da Criança diz que “a criança será
registrada imediatamente após seu nascimento e terá direito,
desde o momento em que nasce, a um nome, a uma nacionalidade e, na medida
do possível, a conhecer seus pais e a ser cuidada por eles”.
As estatísticas do registro civil de nascimento estão
relacionadas aos direitos humanos quando retratam a garantia da identidade
do cidadão e a sua relação inicial com o Estado
brasileiro. Além disso, o registro de nascimento é um
direito da criança e dever dos seus responsáveis e do
Estado. As informações sobre registro civil são
um importante instrumento para o planejamento e execução
de políticas públicas e o monitoramento do exercício
da cidadania, bem como são fundamentais para o acompanhamento
da dinâmica demográfica.
A certidão de nascimento garante às crianças e
aos adolescentes direitos fundamentais como o nome, a nacionalidade
e o vínculo familiar. Os sistemas nacionais de registro de nascimento
fornecem dados indispensáveis para a formulação
de políticas públicas e avaliação da situação
da infância. Além disso, a falta de registro civil pode
ainda ajudar a ação de traficantes: as crianças
não registradas são dificilmente rastreadas pela justiça,
sendo, portanto, alvos mais fáceis para o tráfico de pessoas.
O registro protege também a criança do trabalho infantil
e do recrutamento militar prematuro, já que sem ele elas não
podem comprovar a idade exata.
Mobilizações
Para diminuir esses números, a Secretaria Especial de Direitos
Humanos realiza, desde 2003, uma campanha de mobilização
pelo enfrentamento do problema. A partir dessa iniciativa, o dia 25
de outubro passou a ser considerado como o Dia Nacional de Mobilização
para o Registro Civil. Nessa data, diversas organizações
realizam mutirões para emitir certidões de nascimento
às crianças e adolescentes sem registro.
Em 2004, foi elaborado o Plano Nacional para Registro Civil que tem
como objetivo erradicar o sub-registro civil no País. O plano
previa também "criar condições econômicas
e financeiras de forma a assegurar a operacionalidade, agilidade, mobilidade
e sustentabilidade dos serviços e cumprimento da Lei 9.534/97".
A meta é garantir o Registro Civil a 95% das crianças
brasileiras. O prazo previsto inicialmente para se alcançar este
objeto foi outubro de 2006. Contudo, o Governo Federal já admitiu
que a meta não foi alcançada. De acordo com o IBGE, o
índice de sub-registro no Brasil em 2005 foi de 11,5 %.
Selo UNICEF - O Fundo das Nações
Unidas para a Infância (UNICEF) também incluiu a garantia
do direito ao registro civil entre as metas a serem atingidas pelas
cidades do Semi-árido para a obtenção do Selo UNICEF
Município Aprovado. O Selo é direcionado aos municípios
do Semi-árido brasileiro (AL, BA, CE, ES, MA, MG, PB, PE, PI,
RN e SE) que juntos formam os 11 estados comprometidos com o Pacto ‘Um
Mundo para a Criança e o Adolescente do Semi-árido’.
A certificação é um reconhecimento internacional
que o município pode receber pelo resultado dos seus esforços
na melhoria da qualidade de vida de crianças e adolescentes.
Para receber o Selo, os gestores municipais devem garantir o registro
civil para todas as crianças. A avaliação contará
com os dados fornecidos pelo IBGE.
Maranhão
Em dezembro de 2005, foi lançada a Campanha de Combate ao Sub-registro
no Maranhão, coordenada pela Corregedoria Geral da Justiça,
em parceria com o projeto Viva Cidadão e tem obtido bons resultados.
A Campanha já percorreram 158 municípios do interior do
estado. A meta é alcançar todas as 217 cidades maranhenses
até 2010. A Campanha funciona em duas etapas. A primeira é
o mapeamento domiciliar, através dos agentes municipais de saúde,
a fim de levantar o número de indivíduos que não
possuem o registro civil em cada localidade. E na segunda etapa é
feita a emissão do documento diretamente nos chamados “povoados-pólos”,
selecionados de acordo com a quantidade de sub-registrados.
A meta para 2007 é atingir, até o final do ano, 95% do
contingente da população dos municípios do Maranhão
sem o registro civil, promover a inclusão de 100% dos registrados
em programas sociais e propiciar uma ação contínua,
a fim de manter os bons índices. A Campanha tem a parceria do
UNICEF, do INCRA, da ONG Plan, dos Correios, da Federação
dos Municípios do Estado do Maranhão (FAMEM) e das prefeituras
municipais.
Exemplo maranhense – A cidade
do Semi-árido maranhense de Santa Quitéria foi a primeira
do Brasil a acabar com o problema do sub-registro de nascimento, sendo
considerada modelo para a campanha que o UNICEF implementou em 2006
na primeira fase do programa Selo Unicef Município Aprovado.
Esse resultado foi possível através de um trabalho conjunto
entre o Ministério Público do Maranhão, o setor
Judiciário e entidades como o Centro de Defesa e Promoção
dos Direitos da Cidadania. Os agentes comunitários de saúde
do Município foram orientados a encaminharem os pais ou responsáveis
dos recém-nascidos ao cartório de registro civil para
a emissão do documento. Os profissionais são também
incentivados a informar à Promotoria de Justiça os casos
de pais que, porventura, deixem de ir aos cartórios para registrar
os filhos nas primeiras semanas de vida.
Espelhando-se na experiência vitoriosa do município de
Santa Quitéria, municípios como Barreirinhas, Nina Rodrigues,
Raposa, Paço do Lumiar, Brejo e Buriti, já atingiram o
saldo de apenas 5% de sub-registro, considerado pela Secretaria Especial
de Direitos Humanos da Presidência da República e o UNICEF
como parâmetro para a extinção do sub-registro nos
municípios.
Mais informações:
Corregedoria Geral de Justiça do Maranhão
Adriana Sá – Assessora de Comunicação
(98) 2106-9830
asscomcgj@tj.ma.gov.br
Fundo das Nações Unidas para a Infância
Eliana Almeida - Coordenadora do Escritório MA
(98) 4009 5700
Promotoria de Justiça de Santa Quitéria (MA)
Pablo Bogéa Pereira Santos – Promotor
(98) 3476 1332
Agenda
23 a 27/10
Semana Estadual da Juventude
Com o objetivo de identificar as políticas públicas para
a juventude maranhense, acontecerá de 23 a 27 de outubro, em
São Luís, a Semana Estadual da Juventude. O evento pretende
envolver mais de mil jovens da capital e do interior do estado na discussão
e elaboração do Plano Estadual da Juventude. A idéia
é incluir a Semana da Juventude no calendário de eventos
do Maranhão e que os auditórios e espaços culturais
da região sejam aproveitados para o desenvolvimento de atividades
permanentes para o segmento.
Mais informações:
Secretária de Estado da Juventude
(98) 2108 9135
www.juventude.ma.gov.br