São Luís/MA, 26/11
a 02/12/2007> Edição nº155
SUGESTÃO DE PAUTA DA SEMANA
Jovens
do Maranhão realizam monitoramento do orçamento público
da educação
Foco principal se concentra no semi-árido
maranhense
Entre as diferentes regiões do País, a região
semi-árida é a que apresenta os menores índices
sociais. Embora este quadro demande uma atenção por parte
das diferentes esferas de governo, o que se verifica é que os
investimentos previstos no orçamento para essa região
ainda, geralmente são focados em situações emergenciais,
como no caso da estiagem prolongada. Em geral o que se verifica é
que não existe clareza na definição dos investimentos
na região.
Um bom exemplo é o Plano Plurianual de Ação Governamental
(PPAG), tramitando no Legislativo até o dia 15 de dezembro, o
plano poderia assinalar uma solução para aumentar a quantidade
de recursos para o Semi-árido. Entretanto, o documento parece
não trazer grandes mudanças. Analisando-o superficialmente,
o PPAG parece contemplar grandes expectativas no campo social. O texto
introdutório, feito pelo Presidente Lula, promete “acelerar
o crescimento econômico, promover a inclusão social e reduzir
as desigualdades regionais”.
O integrante da Secretaria Executiva da Rede de Educação
do Semi-Árido Brasileiro (RESAB), Edmerson dos Santos Reis, analisa
que “ainda não há clareza nas metas para a região”
e é preciso “garimpar” o PPA no que se refere às
áreas prioritárias de desenvolvimento. Um exemplo é
a previsão de informatizar as escolas, ação citada
com destaque pelo Presidente, mas que soa distante da realidade enfrentada
pelas instituições de ensino do Semi-árido, onde
muitas vezes ainda falta o básico – como luz elétrica,
água encanada e alimentação.
Edmerson enfatiza o papel da sociedade civil de analisar o PPA, bem
como acompanhar a aprovação e a sua posterior execução.
Ele aponta alguns avanços contemplados pelo Plano Plurianual
em votação, que contribuem significativamente para a garantia
dos direitos de meninos e meninas do Semi-árido. Um deles é
o fortalecimento das Secretarias Municipais de Educação
que se localizam na área. Outro é o programa A caminho
da escola, que prevê o investimento em transporte escolar na zona
rural, uma das maiores dificuldades dos estudantes que residem no campo
e normalmente enfrentam grandes distâncias para chegar às
salas de aula.
Monitoramento - Visando influenciar
na universalização da educação básica
de qualidade para as crianças e adolescentes maranhenses, especialmente
na região semi-árida do estado, a Rede Sou de Atitude
no Maranhão, uma articulação de jovens que promove
a participação política, está realizando
um projeto de monitoração do orçamento público
na área de educação. O foco de projeto é
acompanhar a execução da Lei Orçamentária
Anual (LOA) na área de educação e discutir a importância
do envolvimento de meninos e meninas no controle social.
Segundo o IBGE e a Pesquisa Nacional, a taxa de analfabetismo do Estado
é de 23% - 10 pontos a mais que a média brasileira. Num
outro extremo, tem um dos menores níveis de escolaridade do país.
Enquanto no Brasil somente 11,91% da população tem menos
de 1 ano de estudo, no Maranhão este percentual chega a 23,35.
Para Raimunda Ferraz, coordenadora da Rede Sou de Atitude no Maranhão,
“o objetivo é assegurar a intervenção nas
políticas públicas de forma a cumprir o que está
previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Os jovens
que vão monitorar o orçamento passaram por uma formação
específica nessa área e estão aptos a analisar
as peças orçamentárias. Além disso, o projeto
tem o foco na formação de núcleos regionais da
Rede Sou de Atitude no semi-árido maranhense, estimulando a participação
política no monitoramento do orçamento.
Ela explica que o monitoramento do projeto se dará no processo,
através de reuniões mensais com a equipe envolvida e com
a Rede Sou de Atitude, bem como em momentos específicos, como
no seminário e nas formações, onde haverá
a aplicação de questionários. A previsão
é que os jovens visitem sete municípios da região.
Até o momento, as cidades de Chapadinha e Timbiras foram visitadas.
Ainda serão visitados os municípios de Santo Amaro, Santana
do Maranhão, Belágua, Parnarama, Milagres, Timon e Aldeias
Altas, além dessas cidades também o município de
Zé Doca também foi visitado pela Rede Sou de Atitude.
Outro ponto de destaque do projeto é que será elaborado
um guia mostrando como adolescentes e jovens podem monitorar o orçamento.
As informações serão publicadas em jornais murais
que serão fixados em escolas, igrejas e organizações
juvenis.
Selo Unicef – Raimunda afirma
ainda que os jovens sabem que as visitas vão ser importantes
para os municípios, uma vez que na proposta do Selo UNICEF Município
Aprovado 2007/2008, os prefeitos dos municípios do Semi-árido
brasileiro vão ter seu governo monitorado por meio do controle
do orçamento realizado por adolescentes. A iniciativa incentiva
o investimento nas políticas públicas para a infância
e adolescência, promovendo a mobilização da sociedade
e do poder público para gerar melhorias na qualidade de vida
de meninos e meninas.
Dentre os indicadores que precisam ser alcançados, o Selo UNICEF
avaliará, neste ano, o envolvimento dos jovens com o ciclo orçamentário.
Durante essa edição, grupos de adolescentes irão
escolher uma área do governo municipal para monitorar a execução
do recurso. A idéia é mostrar a esses jovens a necessidade
de se garantir verbas para a realização dos projetos e
programas governamentais, ensinando-os os primeiros passos para ter
acesso ao orçamento municipal.
Os adolescentes serão formados nas próximas semanas,
nos 11 estados que possuem áreas semi-áridas. José
Nilson Alves, oficial de projetos do Escritório do UNICEF de
Brasília e integrante da coordenação para o Semi-árido,
explica que os meninos e meninas serão orientados a formar grupos
em seus municípios para a atividade. “A idéia é
desmistificar o orçamento, mostrando que é possível
acompanhá-lo”, conta. Além de aprender os trâmites
para a aprovação da proposta orçamentária
no Executivo e no Legislativo, os jovens serão informados sobre
como identificar, na prática, por meio de indicadores, se o recurso
aplicado consegue gerar as mudanças previstas.
Desvendando o orçamento -
O orçamento público do País, seja em nível
federal, estadual ou municipal, segue um cronograma que intercala o
Poder Executivo e o Legislativo na elaboração e aprovação
dos gastos e investimentos públicos. Esse processo contínuo
é chamado ciclo orçamentário e possui três
leis que o regem: o Plano Plurianual de Ação Governamental
(PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei
Orçamentária Anual (LOA). O PPA define estratégias,
diretrizes e metas do governo por um período de quatro anos e
é elaborado no primeiro ano de mandado dos prefeitos, governadores
ou presidentes.
Como inicia o ciclo orçamentário, o projeto de Lei do
PPA elaborado pelo Poder Executivo deve estar pronto e encaminhado para
o Legislativo até o dia 31 de agosto do primeiro ano de mandato
dos novos chefes do Executivo. A partir dessa data e até o dia
15 de dezembro (no calendário da União) os membros do
Legislativo discutem, apresentam emendas e votam o projeto. A aprovação
do PPA é tão importante que, caso não seja concluída
até esse dia, tem o poder de suspender o recesso do Legislativo
até que se conclua o processo.
O PPA mostra se o governo vai ou não cumprir as promessas da
campanha eleitoral, apontando quais suas prioridades e os interesses
políticos da gestão. Atualmente, o Brasil está
sob a orientação do Plano Plurianual de 2003, que se encerra
neste ano. Ao mesmo tempo, o próximo PPA está sendo discutido
na Câmara dos Deputados. Na mensagem presidencial que introduz
o projeto do PPA, Lula afirma que o Plano Plurianual 2008-2011 organiza
ações em três eixos: crescimento econômico,
agenda social e educação de qualidade.
O Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), em levantamento
preliminar da proposta em votação, mostra que há
R$ 503,9 bilhões previstos para investimentos na área
social nos próximos quatro anos. O valor é semelhante
ao destinado ao Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC). Para o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE)
não há um valor fechado, mas espera-se um crescimento
de 26,8%, o que representaria 35,7 bilhões de reais a mais do
que os 18% do Orçamento Fiscal exigidos constitucionalmente.
O texto do Projeto de Lei do PPA 2008-2011 redigido pelo Executivo nacional
está disponível no endereço eletrônico do
Sistema de Informações Gerenciais e de Planejamento (SIGPLAN)
do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão,
no www.sigplan.gov.br.
Mais Informações:
Rede Sou de Atitute-MA
Coordenadora – Raimunda
Fone: (98) 9141 6503 / 8125 7253 / 3241 6479
Unicef (Esccritório do MA)
Eliana Almeida
Fone: 4009 5700 / 9991 8415 / 8111 7492
RESAB (Rede de Educação do
Semi-Árido Brasileiro)
Edmerson dos Santos Reis - Membro da Secretaria Executiva da RESAB
Fone: (74) 3611-7479/ 8808-8863
E-mail: resab@resab.org.br;
edmerson@oi.com.br