Reflexões sobre exposição precoce de crianças nas redes sociais

Para você, é comum postar fotos de crianças em redes sociais? Já refletiu sobre a repercussão ou destino que as fotos de suas crianças podem ganhar? A quantos perigos sua criança pode estar exposta ao colocar uma foto dela de farda ou revelar a localização de sua escola em redes sociais? Quantos momentos essenciais e únicos você perde por estar gravando um vídeo ou tirando foto ao invés de vivenciar o momento?   Vocês já pararam para fazer essas reflexões?

Com o intuito de trazer essas discussões à sociedade, a Agência de Notícias da Infância Matraca, por meio do projeto “Primeira Infância em Rede”, realizou uma roda de diálogos com o tema “Controlando a exposição precoce das crianças aos meios de comunicação”, facilitada pela professora da UFMA, Rose Ferreira, voltada para os alunos de comunicação e áreas diversas.

“As ações e os variados tipos de relações humanas também compõem as redes sociais, não podemos pensá-las somente pela oralidade, pelo discurso, somente pelo virtual”, ressalta Rose. É necessário entender que as redes sociais são compostas por pessoas e organizações, interligadas por vários tipos de relações, e que partilham valores, interesses, objetivos comuns. Mas geralmente não é assim, aceitamos pessoas que nem conhecemos, só para ter mais acesso e curtidas, daí a importância de que se tenha uma cautela em tudo que for postar, inclusive no que diz respeito à exposição de crianças, pois um vídeo, uma postagem, uma foto com as partes íntimas expostas, que aparentemente seria engraçado e fofo, pode ter como consequência problemas sérios, que vão desde retaliações, como interesse de pedófilos e redes que traficam crianças e órgãos, e constrangimento quando adulto, além de bullying.

Segundo o artigo 17 do ECA “O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais.”. É responsabilidade dos pais, do poder público e da sociedade, garantir à criança o desenvolvimento saudável, sem ações que interfiram no seu bem-estar e na sua vivência.

E afinal de contas, é permitido ou não, fotos, vídeos, exposição da criança nas redes sociais? São necessárias algumas reflexões: se é certo ou errado, é uma ponderação pessoal, às vezes as fotos são partilhadas somente para a família que mora distante, em outras ocasiões é aleatório com intuito de receber curtidas pela fofurice. A exposição errônea da criança pode trazer sérios prejuízos, além de ser uma transgressão ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Para melhor fazer as ponderações, a professora Rose levou algumas dicas que os pais devem ter ao postar foto de seus filhos. (Retiradas do site Painel Político: http://painelpolitico.com/entenda-o-perigo-de-postar-fotos-de-criancas-nas-redes-sociais/)

NÃO POSTAR:

1 – Fotografias de bebés só de fralda, nus ou a tomar banho.

2 – Fotografias de crianças com a farda do colégio.

3 – Fotografias com pistas sobre a morada da criança

4 – As fotografias que os seus filhos não quererão ver divulgadas quando forem adultos.

5 – Fotografias de crianças sem que os pais tenham autorizado.

6 – Fotografias com identificações de GPS.

É necessário que se tenha cuidado, pois a internet é um lugar carregado de pessoas com más-intenções e não é tão seguro quanto aparenta ser, ressaltado o fato de que e a segurança das crianças é responsabilidade da sociedade como todo.

Texto: Yara Mendes/ Revisão: João Carlos Raposo

Foto: Lucas Fonseca

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