Roda de diálogos discute obesidade infantil e publicidade

Quem nunca se deparou com uma peça publicitária e sentiu-se tentado a consumir o produto? Isso pode ocorrer de forma muito mais intensa se associar crianças e alimentos, evidenciando a relação entre obesidade infantil e a publicidade de alimentos voltada para essa faixa etária. O que influi diretamente no direito à alimentação adequada de crianças e adolescentes.

É importante pensar os limites da publicidade e sua regulamentação. “A obesidade infantil é uma questão de saúde pública e uma de suas principais causas é a falta de regulamentação da publicidade de comidas e bebidas ultraprocessados voltados para crianças que têm influenciado diretamente no consumo de alimentos não saudáveis”, explica o jornalista e coordenador do Instituto Formação, Fábio Cabral.

O jornalista facilitou a roda de diálogos “Publicidade de alimentos e obesidade infantil: uma reflexão necessária”, realizada pela Agência de Notícias da Infância Matraca, atividade do projeto Primeira Infância em Rede, com apoio do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Maranhão (CEDCA-MA), por meio do Fundo Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Maranhão (FEDCA-MA).

A roda contou com a participação de profissionais e estudantes de jornalismo, publicidade, educação física, pedagogia, serviço social, psicologia, entre outras áreas, o que enriqueceu a discussão. Para Sandy Machado, estudante de psicologia, “a discussão não está no alimento pelo alimento e sim em todas as questões como sentimentos e vivências por trás daquele alimento e por isso os comerciais sempre evidenciam sentimentos de interação social, de felicidade, conquista de novos amigos, família unida que atraem as crianças”.

Regular a publicidade é um caminho para diminuir os índices de obesidade entre crianças e adolescentes. Dentre as regulamentações atuais, estão a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL) e a resolução 163/2014 do Conselho Nacional dos Diretos da Criança e do Adolescente (Conanda), que trata do excesso de publicidade e de comunicação mercadológica voltada à criança e ao adolescente.

A nutricionista pediátrica Suzany Queiroz, ressalta o impacto que a publicidade pode ter na escolha dos alimentos. “Entre os motivos que levam ao aumento de peso, pesquisas apontam sempre que um dos maiores fatores é a publicidade. A regulamentação tem ajudado, o fato de não ter sido mais permitido a propaganda de alimentos não saudáveis em programas infantis melhorou significativamente. Mas, não podemos esquecer que contamos com e precisamos da ajuda dos pais e cuidadores dessas crianças”, afirma a nutricionista.

Ainda assim, tratar de obesidade infantil não é uma questão apenas familiar ou escolar. As crianças vivem no contexto midiático que também pode influenciar em suas vidas. “Essa mesma publicidade que estimula o consumo desses produtos é a que estabelece a magreza como o padrão de beleza em nossa sociedade. Por todas essas questões, é fundamental discutir a relação entre a publicidade de alimentos e a obesidade infantil”, conclui Fábio Cabral.

 

 

Texto: Vilma Santos

Foto: Vilma Santos

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